Dia da Grávida e da Natalidade

Anteontem celebrou-se o Dia da Grávida e da Natalidade. Vi imensos posts de amigas recordando a gravidez e amigos com as respetivas mulheres grávidas. Vi alguns posts mais focados na época em que vivemos, mais difícil de gerir principalmente no setor público.

Pensei nos meus processos das duas vezes em que estive grávida: na gravidez, nos sentimentos, nos partos e nos pós-parto. Pensei nas escolhas que fiz sobre os profissionais que me seguiram (e seguem). Pensei sobre o que senti desde que fiquei grávida da primeira vez. Já aqui partilhei de tudo: do bom, do doloroso, do que gostava que me tivessem dito, das escolhas de médicos e hospitais.

Da primeira gravidez, custou-me a licença em casa, sozinha a maior parte do tempo. Aliás, foi assim que o Mamã, dá licença? nasceu. Sentia toda uma necessidade de esvaziar o que sentia e assim começou. Da primeira gravidez, tudo foi gentil até ter que passar meses a fio a dar em maluca com a rotina sempre igual. A gravidez foi simples e sem problemas (demorou a acontecer, mas aconteceu), o parto foi rápido, e a recuperação foi simples.

Aqui estava eu grávida de 36 semanas da minha primeira filha. É a última foto semanal que tenho desta gravidez. ❤️

A amamentação foi o tema difícil de lidar, mas felizmente temos um bom pediatra que ajudou nesse tema (e em tantos outros). Foi com este tema que percebi que há muito mais gente a opinar sobre as minhas mamas e as minhas filhas do que quem tem direito a fazê-lo. Não me esqueço de ter ido ao escritório quando a Pipoca tinha 2 meses e de estar a falar com uma amiga sobre o leite que dava, e vir uma colega, que eu não tinha sequer ainda conhecido, dizer-me que eu estava a ser preguiçosa, que tinha que insistir, que se fosse preciso devia estar com a minha filha sempre ao peito. Fiquei estúpida com o à-vontade que algumas pessoas têm para fazer este tipo de comentários, mas como na altura já tinha passado as semanas agonizantes de dor, e de culpa por não ter leite para dar, nem respondi e não lhe dei importância. Mas serviu-me para ver este tratamento; já tinha tido dedos apontados no centro de saúde e também da minha mãe, mas vir uma pessoa que eu não conheço fazê-lo era novidade.

Na segunda gravidez, tive algumas complicações. Começou logo de forma mais “surpreendente”: da primeira vez, andámos uns tempos largos a tentar e desta “já está”! O meu cérebro nem processou bem a coisa. Mas fez-se na mesma, claro.

Aqui estava grávida de 32 semanas da Pipoca mais nova. Barriga maior, muito mais cansaço…

Apanhei uma infeção por citomegalovirus, que nos colocou a vida em suspenso até depois da Pipoca nascer. Não tínhamos respostas sobre se ela teria sido infetada pelo vírus ou não, se iria ter problemas de saúde ou se estaria tudo bem; sabíamos que eu tinha efetivamente apanhado o vírus e mais nada. Fizeram-nos o cenário todo, do pior ao melhor. Foi imensa informação que nos perseguiu durante uns bons 3 meses. Tudo isso, mais talvez o cansaço acumulado e, até certo ponto, um sentimento de culpa por estar a trazer uma nova criança para uma casa em que a criança maior ainda necessitava muito de mim, fez com que eu me distanciasse da minha filha mais nova.

Foram meses e meses muito duros. Muito difíceis e sem grande apoio (não era propriamente tema de conversa quando tinha visitas, como podem imaginar). Felizmente, ultrapassada a situação, quase bipolar e nada saudável, estamos as duas bem uma com a outra.

Aqui o meu ponto com esta partilha é que o acompanhamento na gravidez, o tratamento no parto é pós-parto mais imediato, e o seguimento nos meses seguintes são tudo parte de processos que muitas vezes são depositados na ação da grávida ou da parturiente, em vez de serem momentos de lucidez e de oferta dos profissionais. Dependemos deles, até porque não somos médicos, enfermeiros nem terapeutas, mas muitas vezes é de nós que parte o diagnóstico de que algo está errado. Aconteceu comigo nessa altura de que acima falei e acontece muita gente ainda antes.

Por isso, se algo não estiver bem é se não se sentirem seguros (os pais também têm direito a participar nisto, ok?), procurem alguém. Não se sintam culpados. ❤️ Questionem. Se o vosso médico não vos for capaz de elucidar ou de acompanhar atentamente, não sintam receio nem vergonha de mudar. Isto é válido para qualquer profissional, até. Neste caso, vai desde o obstetra ao pediatra.

❤️

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