Jogos de imaginação: porque razão são tão importantes?

Os jogos de imaginação ou brincadeiras que estimulem a imaginação são essenciais para o crescimento das crianças. São atividades que permitem que as crianças desenvolvam a capacidade de cooperar com os outros, de partilha de ideias, incentivam o sentimento de conquista, estimulam a criatividade e ainda criam momentos de ligação com quem brinca com elas.

Além disso, se perderem um jogo ou quando algo não for bem-sucedido, há um processo importante de aprendizagem e compreensão sobre como lidar com a perda temporária e as emoções negativas que a acompanham.

Assim, deixo-vos algumas ideias de brincadeiras que ajudam a cultivar a imaginação e a brincar com os seus filhos. Mais do que pensarmos em todas as situações, o importante é manter a diversão!

1. Façam um espetáculo ou teatro

Incentivem os vossos filhos a escrever uma história – podem até utilizar os brinquedos favoritos como personagens. Esta é uma atividade que pode levar várias horas, até mesmo o dia inteiro, já que podem, em conjunto, desenhar e construir cenários e acessórios para complementar a narrativa.

Depois da peça ou espetáculo preparado, podem atuar para os amigos e familiares e, se filmarem, ainda ficam com uma recordação para reverem mais tarde.

2. Terminar uma história (uma espécie de Cadavre Exquis

Esta ideia vem de uma atividade já bem antiga de dinamização rápida: le Cadavre Exquis ou Corpo esquisito.

É um jogo em que alguém dá um mote e cada participante continua a história, sempre partindo do ponto em que o anterior ficou. Originalmente em desenho, este jogo é muito rico em termos de imaginação e pode ser feito em qualquer lugar (até no carro!).

Vocês podem dar o pontapé de saída, criando o início de uma história com uma frase aberta (por exemplo: “O gato estava atrás do rato quando viu uma árvore que…”) e a partir daí cada participante (podem ser só dois, sem problema!) vai completando a história, frase a frase.

Este jogo incentiva a espontaneidade e a sermos criativo com ideias rápidas, com um potencial de surpresa que facilmente se torna em diversão. Eu acho estes jogos super giros porque também nos tiram o controlo da situação. Não podemos adivinhar o que a próxima pessoa vai dizer, nem como vai acabar a história! Além disso, é ótimo para voarmos, porque a imaginação não precisa de ser realista 🙂

3. Quantos consegues dizer?

Usando um qualquer objeto doméstico como ponto de partida (ex. Colher de pau), indiquem a sua finalidade mais comum (ex. Misturar a comida) e, em seguida, pensem em outras coisas para as quais ele poderia ser usado. Isto é uma brainstorming para todas as idades 😉 Quanto mais ideias, melhor!

Estes estímulos bem trabalhados irão ajudar a brincar com um brinquedo de várias maneiras, o que é fantástico para desenvolver o pensamento flexível.

4. Associação de palavras

Esta atividade é ótima principalmente para idades em que as crianças estão a construir vocabulário por associação. Isto é, estão a desenvolver um campo lexical em torno de uma palavra específica. 

Então, é fácil! Peguem num brinquedo e digam palavras associadas a esse brinquedo. Por exemplo, se for um carrinho podem dizer estrada, roda, rua, viagem, pneu, portas, férias, etc. A vantagem deste jogo é que facilmente pode ser feito, ainda que não haja um objeto físico em vista (no entanto, ter um apoio visual é um desbloqueador :)). Podem fazer um objeto com blocos de montar e quando quiserem mudar de ponto de partida, é só desmontar e construir um novo!

Caso queiram, podem usar isto como um estímulo para a aquisição de palavras novas – e fazer com que a criança as utilize em frases, por exemplo.

5. Caça ao tesouro

Esta ideia é, de todas, a mais trabalhosa, já que é construída antecipadamente. Mas não desistam, porque vale a pena 🙂

Uma caça ao tesouro é um jogo de verão perfeito e cria sempre emoção real entre os participantes.

Para a organizarem não precisam de ser hiper metódicos e podem começar por decidir onde vão esconder pistas e o tesouro, ou então por definirem as pistas e o percurso que gostariam de ver feito e só depois esconderem as coisas. Sejam livres, mas empenhem-se, OK? 👌

As pistas podem levar os participantes a imaginar outros lugares (podem fazer isto em vossa casa, mas fingir que estão numa floresta, por exemplo). Podem conter pequenos desafios, ser em forma de adivinha, etc.

Devem ter um reforço positivo para quando cada pista for descoberta, já que ajudará a reforçar os comportamentos como a concentração e persistência.

6. Acampem em casa

Facilmente conseguimos improvisar uma tenda na sala usando cadeiras, para fingimos que estamos num acampamento ou num forte. É uma atividade que, desde a conceção, envolve as crianças e é ótima para desenvolver a capacidade de decisão (“o que queres que a tua tenda seja?”) e de interação (o faz-de-conta).

Levem objetos que possam ter funções menos óbvias que a sua utilização primordial, e continuem a brincar 😉

 

Estas ideias são muito simples e qualquer um de nós pode fazê-las. Incentivar as crianças a  brincar livremente durante os horários não estruturados do dia realmente ajuda com a imaginação, flexibilidade e integração do cérebro em vários níveis. Podemos pensar que não é tempo bem empregue, mas não podíamos estar mais longe da verdade. Este tempo oferece a possibilidade de experimentação e de expansão dos seus próprios limites. Além disso, permite aos pais perceber quais são os pontos de tensão das crianças e trabalhá-los física e emocionalmente. 

Por estas e muitas outras razões, não há desculpas para não brincarem 🙂

 

 

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