Os nossos dias da mãe

Eu não sei quanto a vocês, mas para mim o Dia da Mãe não me soa mesmo ao “dia da mãe” efetivo. Avançando aquela parte em que dizemos que “Dia da Mãe é todos os dias” ou que é “quando quisermos”, diria que talvez seja possível sentirmos que o dia da mãe é aquele em que nos tornámos mães pela primeira vez – ou das várias vezes.

Isto dá toda uma dissertação, daquelas de café, que na verdade vem mais esmiuçar o conceito do sentimento de início de maternidade do que propriamente da celebração deste dia.

Acho que nunca celebrei o dia da mãe. Na escola fazia alguns trabalhos – estou a fazer algum esforço para me lembrar de algum, mas nem isso me ficou na memória. Acredito que tenha ficado na da minha mãe, mas pensando bem acho que se calhar na minha escola não se devia fazer grande coisa para o dia da mãe ou do pai – não tenho mesmo ideia de ver trabalhos meus pela casa. Não me faz (nem fez) falta nenhuma essa exposição (não sei se aos meus pais faria diferença), mas consigo recordar-me de vários trabalhos feitos pela minha irmã. Bem, tendo em conta que não gostei nem um pouco dos meus anos na escola primária – quando mais depressa passassem, por mim, melhor – é possível que simplemente tenha apagado essas coisas da minha memória, num mecanismo de defesa qualquer.

Adiante, muito se poderia dizer sobre isto. Mas aproveito para, então, vos questionar: quando é que se sentiram mães e pais? Foi algo rápido a surgir durante a gravidez? Foi algo que se foi construindo? Veio com o parto? Contem-me tudo 🙂

Posso começar eu, num modo bastante… inconclusivo, provavelmente.

Acho que a “coisa” se tornou palpável para mim quando a primeira Pipoca nasceu. Foi um parto sereno – a gravidez também – e praticamente sem anestesia, e mal a estavam a limpar quando uma das enfermeiras me diz “Já viu? Entrou aqui grávida e vai sair daqui toda elegante! Já não tem barriga!”. Foi numa clara situação de brincadeira e de aligeirar o clima (já de si ligeiro), mas caiu-me como uma pedra. Lembro-me de ter posto as mãos na barriga e de pensar que agora a minha filha estava cá fora, já não era algo literalmente dentro de mim. Normalmente, digo que este foi o meu momento “shit just got real”. Se tivesse que escolher apenas um momento em que sentisse ali o papel de mãe a dar de si, foi nesse exato momento. Nem sequer foi antes do parto – foi mal ouvi aquelas palavras.

Já me perguntei se da segunda vez houve esse momento, esse clique, mas não; foi tudo muito diferente. Muito mais duro para mim. De certa forma, foi como se não me sentisse mãe da minha filha, ou como se essa entidade e eu estivéssemos separadas dentro do mesmo corpo. Para quem não acompanhou a saga, pode ler aqui um pouco da história.

Portanto, é melhor ficar com a primeira parte da história, para já, como o mote para o tal Dia da Mãe.

Posto isto, continuo sempre pronta a receber o que quer que seja que as minhas filhas me tragam. Sou e serei das incondicionais guardadoras de trabalhos dos filhos. Pelo menos, para já. 😉

(Se mais alguém me quiser mandar alguma coisinha, não digo que não! 😂)

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