Digital Wellbeing (ou como a tecnologia ocupa os nossos dias)

Uma coisa que reparei desde que estou em casa é que a bateria do meu telemóvel parece tomar Depuralina. Nada está errado com a bateria; eu é que uso muito mais o telemóvel em coisas triviais (ou ainda menos relevantes do que isso). Ora é para o joguinho, ora para ver as redes sociais; ver notificações é o prato do dia… Isto numa altura em que pouca coisa recebo, em termos de notificações, confesso.

Nós estamos cada vez mais tempo online, mesmo que não estejamos conscientes disso. Temos que ter a wi-fi ou os dados ligados sempre, até quando estamos a dormir, e temos um enorme FOMO (“Fear Of Missing Out”, traduzido livremente por “Medo de ficarmos de fora”). Chega uma altura em que apenas o facto de querermos garantir que estamos “on” é, por si só, uma distração.

Neste momento, temos então, que garantir que a tecnologia seja algo que melhore a nossa vida, em vez de nos criar distrações e nos assoberbar. Na altura em que vivemos, e em que a tecnologia até parece o nosso único ponto de ligação ao exterior, isto é fundamental.

Mas será que o sabemos fazer?

Antes de mais, temos que estar cientes de que o bem-estar digital (ou “Digital Wellbeing”) é algo perfeitamente possível para cada um de nós; temos que fazer alguns pequenos exercícios para nos conhecermos e sabermos quais os nossos hábitos de consumo, mas não é nada de transcendente. Os resultados podem surpreender-nos – ou melhor, a consciencialização pode ter esse efeito – mas é o ponto de partida ideal.

Vamos partir do ponto em que todos temos um smartphone, que é o símbolo da revolução tecnológica: o livre acesso, a ampla disponibilização e comercialização fazem deste o objeto marcante do nosso dia.

Se pensarmos bem – e vários estudos de organizações como a Google comprovam o mesmo – somos capazes de passar uma média 6 horas por dia online (em consumo efetivo) e de verificarmos se temos notificações no telemóvel cerca de 50 vezes por dia.

É imenso tempo que dedicamos a isto, mas terá este tempo qualidade? Que valor nos aporta ao dia-a-dia?

Assim, voltamos ao bem-estar digital, que é, nada mais, nada menos, do que criar e manter um relacionamento saudável com a tecnologia. Inclui sabermos como “a tecnologia nos serve e nos move em direção aos nossos objetivos, em vez de nos distrair, interromper ou atrapalhar”*. Estarmos no controlo da tecnologia vai permitir-nos tirar todo o seu potencial e obter todos os benefícios dela.

Este vídeo da Google está muito claro quanto aos benefícios que temos em sermos nós a controlar esta relação. Ora vejam.

Termos mais consciência de nossos hábitos digitais é o primeiro passo para mudarmos e melhorarmos nosso relacionamento com a tecnologia.

Eu uso o telemóvel para ver o email, as redes sociais, pesquisar, ler notícias e jogar. Cada um de vocês fará o seu uso. Assim, cabe a cada um garantir que a tecnologia que usamos nos dá qualidade. Para termos essa consciência, há algumas perguntas a que tento responder, sugeridas por profissionais da área do bem-estar digital e pela Google.

  • Como passo o tempo online?
  • Como isso me faz sentir?
  • Que valor aporta à minha vida?
  • O que gostaria de mudar no meu envolvimento digital?

Estarmos fechados em casa pode ter feito do nosso acesso à tecnologia algo muito mais presente do que apenas a necessidade lúdica, o que nos pode estar a criar níveis de stresse diferentes daquilo a que estávamos habituados.

Dizem as análises da Google sobre a utilização de dispositivos, que normalmente, subestimamos quanto tempo gastamos com tecnologia. Isso ocorre porque na maior parte do dia fazemos uma verificação rápida bastante habitual ou subconsciente das nossas aplicações e afins.

Da minha análise, o tempo passado nas redes sociais atualmente é o que menos valor me traz. Eu sei, tenho um blogue e uma página, e de acordo com as regras todas de Marketing, devia viver mais por aqui. Mas também tenho um trabalho que é online a maior parte do tempo, tenho duas filhas pequenas e sofro de cada vez mais dores de cabeça e de problemas de visão por estar tanto tempo em frente a um ecrã.

Começo a pensar em criar momentos ou espaços livres de dispositivos. Faz sentido, não?

A partir de agora, vou monitorizar mais o meu uso dos dispositivos. Quando tiver resultados, partilho.

O meu objetivo é fazer uma utilização mais regrada, a princípio, mas que se torne na normalidade, sendo mais útil e de maior qualidade.

É algo em que vocês pensam ou nem por isso?

Estarmos mais conscientes de como usamos a tecnologia e fazendo pequenas mudanças, podemos minimizando frustrações de estarmos constantemente conectado aos nossos dispositivos digitais. É esse um bom porto. 🙂

 

 

 

Para ajudá-lo a criar um relacionamento saudável com a tecnologia, aqui estão algumas ferramentas e dicas úteis.

A tecnologia é uma parte tão importante de nossas vidas, que é indesejável falar sobre desconectar-se dela completamente. Ao ganhar mais controle sobre nossos hábitos e comportamentos digitais, seremos capazes de encontrar o equilíbrio certo que funciona para nós.

Não existe um tamanho único para todos. O que funciona para uma pessoa não necessariamente funciona para a outra.

Aqui estão algumas opções que podem ajudá-lo a melhorar seu relacionamento com a tecnologia. Para ajudá-lo a manter o controle.

Existem dois elementos principais. Diretrizes digitais: esses são aplicativos diferentes ou tecnologias específicas, projetados para ajudá-lo a obter maior controle. E diretrizes físicas, que é como olhamos para nossos ambientes e o espaço pessoal ao nosso redor.

Vamos começar com o Digital. Então, primeiro você pode pensar em reduzir, selecionar ou personalizar as notificações que você tem no telefone. Por exemplo, Gmail, Android, YouTube, todos permitem uma rica personalização das configurações de notificações.

Muitas empresas de tecnologia estão lançando uma nova onda de ferramentas digitais positivas. Por exemplo, o recurso Desacelerar, transformará seu smartphone em escala de cinza quando você designar um horário em que você está pronto para ir para a cama.

Um recurso simples de usar é colocar o dispositivo no modo Não perturbe. Não perturbe geralmente bloqueia todas as notificações e evita que você seja interrompido. Você pode permitir exceções, para não incomodar, mas ainda assim permitir uma ligação em caso de emergência.

Além disso, você pode pensar em manter as ferramentas apenas na tela inicial e realmente se concentrar no que é essencial. E dessa forma, algumas das coisas que podem nos absorver, na verdade são movidas para a segunda ou terceira tela do nosso dispositivo.

Ao examinar as diretrizes físicas, outra dica que você pode fazer é tentar gastar o máximo de tempo fora possível, pois isso fornecerá estímulos diferentes.

Por que não começar e terminar o seu dia sem o seu telefone? Carregue o telefone do lado de fora do quarto, para que você esteja se distanciando dele e do telefone.

Para ajudá-lo a ser mais produtivo no trabalho. Manter uma dieta digital saudável nos ajuda a melhorar nosso relacionamento não apenas em nossa vida privada, mas também no trabalho. Uma das coisas que as organizações estão começando a fazer é ter reuniões sem dispositivos. Portanto, quando as pessoas estão juntas, elas fazem uma escolha consciente de não verificar seus dispositivos.

Eu tenho um smartphone para o trabalho e outro para a minha vida pessoal. E quando estou no trabalho, silencio ou desligo completamente meu dispositivo pessoal, o que me permite concentrar-me inteiramente no trabalho que estou fazendo.

Quando saio do escritório, desligo completamente o telefone do trabalho e tenho meu dispositivo pessoal. Se eu quiser trabalhar realmente de uma maneira focada, simplesmente desligo meus dispositivos completamente. Apenas os coloquei em uma sala diferente.

Para fazer nosso melhor trabalho, precisamos ser capazes de nos concentrar profundamente. Agendar o horário em que entramos em nossos emails e respondemos a eles ajuda a minimizar o número de notificações e distrações que chegam até nós no escritório. Podemos reduzir o número de e-mails que recebemos, reduzindo o número de e-mails que enviamos. E, em vez de apenas enviar um e-mail sem pensar, talvez reflita: existem outras maneiras de obter essas informações que estou procurando?

Para ajudá-lo a se comunicar melhor com outras pessoas, tente ter mais conversas cara a cara. Se essa pessoa sentir que você está sendo distraído, ela sentirá que não é muito importante para você. Sentimo-nos muito mais quando estamos totalmente presentes, quando incorporamos realmente esse contato que temos um com o outro.

Mudar hábitos e mudar comportamentos leva tempo. Você apreciará os benefícios desse equilíbrio, os benefícios em sua saúde física, em sua saúde psicológica, no relacionamento com outros seres humanos e na maneira como você atua no trabalho.

 

* Definição da Google

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