Como é que é com a tecnologia? Torna-nos pais mais distantes?

Sentindo um pouco o “peso da idade”, começo com um pensamento: a tecnologia, certamente, mudou ao longo das gerações. Inevitavelmente – e porque so comentários em alguns posts no Facebook não deixam escapar – penso nos acessos a dispositivos que as miúdas têm. Nós temos todos telemóvel – nem que seja o mais básico -, computador, tablets (se calhar aqui já menos gente), televisão, serviços de streaming, etc.

Mas que uso fazemos deles quando falamos das nossas crianças?

Se vocês chegaram aqui há pouco tempo, aviso-vos já que estes posts vão sempre dar a volta ao bilhar grande para concluir alguma coisa. Por isso, lá vou eu deambular entre pensamentos novamente.

Gerações à parte… aqui vamos nós pensar juntos!

Se pensarmos nos nossos pais e já em alguns de nós, mais jovens ;), sabemos que a Geração X (1965 a 1981) cresceu com uma televisão em casa, muitas ainda a preto e branco, enquanto os Millennials (1982-1994) conheceram a Internet num computador de secretária (desktops). Já para a Geração Z e para a geração atual (Alfa, desde 2010), a tecnologia é algo omnipresente.

Às vezes paro a pensar nisto. E, como num bom devaneio, vou mais atrás às gerações de que falei acima. Assim isto não é um “Velho do Restelo” a falar sobre tablets e hologramas, mas antes um pensamento sobre a evolução dessas gerações.

A Geração X

De onde vem o termo Generation-X? Tanto quanto sei, a origem não é completamente clara, mas é frequntemente atribuída ao fotógrafo Robert Capa, co-fundador da Agência Magnum, ao referir-se aos jovens nascidos no pós-Segunda Guerra Mundial.

Generation timeline.svg
Imagem: Wikipedia

Geração X compreende os nascidos entre 1965 e 1981, durante a reconstrução da Europa após a Segunda Guerra Mundial. Os seus pais, da geração Baby Boomers, nasceram no imediato pós-Segunda Grande Guerra, num período de alta natalidade e recursos ainda em reconstrução.

Robert Capa, que vos mencionei acima, fez ensaios fotográficos publicados em várias revistas, em que retratava a vida nada fácil da Gen X: uma geração com dificuldade em encontrar um emprego num período ainda turbulento. Esta geração percebeu que trabalhar e produzir seriam o caminho, deixando de lado o idealismo das gerações anteriores.

Assim, a Gen X é frequentemente caraterizada pelo individualismo, pela ambição e pela maior ligação ao trabalho (começou a utilizar-se nesta altura o termo “workaholic”). Bem, divago demasiado – aqui quero chegar a que esta foi a primeira geração a ver o primeiro desenvolvimento tecnológico galopante: a era espacial, a televisão, melhores comunicações à distância e melhorias nos transportes, e conjunto de desenvolvimentos sociais que puxavam para um mundo mais livre e mais eclético.

Esta geração foi a mãe dos Millenials, que, após todo o período de desenvolvimento tecnológico basilar das décadas anteriores, apanharam a disponibilização pública – mais ou menos global – da Internet.

Os Millennials

A Geração Y ou Millennials é também conhecida por serem os nativos digitais. E aqui começo a voltar ao ponto da tecnologia de que falava no início do post. Ora bem, é esta a geração – a minha e a de muitos vocês – que apanha uma centralização do mundo digital, não só com a Internet e todo o manancial de informação que, de repente, temos à nossa disposição, mas com as indústrias dos videojogos, das comunidades virtuais, das telecomunicações, da televisão por cabo – e outras! – que, em termos da família, trazem novas preocupações e mudanças de hábitos dos filhos e dos pais.

Nós somos a última geração que conhece o “off”. Nascemos num mundo analógico e transitamos para o mundo digital.

A partir do momento em que temos melhores comunicações e acesso à internet – ainda que limitado na altura – passamos a viver “on/off”. Ou seja, passamos a ter o nosso tempo online e o nosso tempo offline, e isso permitiu-nos sermos mais virados para nós e mais ambiciosos face ao que queremos.

Lembram-se de os vossos pais vos limitarem o tempo que passavam online? Lembram-se de termos horários para isso, porque à noite era mais barato ou porque só tínhamos ligação na biblioteca da escola? E da discussão sobre os videojogos tornarem os jovens mais violentos? Bem, houve pelo menos mais uma dúzia de discussões sobre estes temas, mas o ponto é que aqui começaram essas preocupações com a tecnologia.

A Geração Z

Andamos mais uns anos e chgamos à Geração Z ou Centenial, que engloba os nascidos entre 1995 e 2010 – e que parecem já ter nascido com um tablet ou smartphone nas mãos.

Esta é a geração da Internet – é a primeira geração que já nasce num mundo completamente online. Vivem online e isto é um ponto fundamental para tudo na vida: para a socialização, para a educação, para a vida em casa, para as decisões que tomam, etc.

No caso dos Millennials, a transição para o digital refletiu-se também grande dificuldade em termos de mercado de trabalho e de foco no que antes era central (como a família, os relacionamentos, etc). Pelo menos é o que dizem os estudos: mercados mais saturados, com mais gente, com competências mais diversificadas – numa geração que primou pela busca da sua identidade individual, levou com o primeiro grande “estalo” da tecnologia enquanto dependência. No caso da GenZ, isto veio a intensificar-se e ainda hoje vejo como isso transformou a minha geração.

Damos muita voz às causas sociais online e queremos que tudo aconteça mais depressa – fruto do mundo digital – mas também queremos que o que nos rodeia seja melhor para nós. Somos nós e os nossos filhos que ocuparemos funções que nunca existiram.

E eis aqui mais um ponto importante: eu tenho uma função que não existia sequer quando fui para o ensino secundário. Mal existia cá quando fui para a faculdade – e mesmo quando terminei o curso. Foi complicado para os meus pais perceberem o que poderia fazer com a minha licenciatura – porque vim de uma área (praticamente) digital e queria trabalhar nesse meio.

Lembro-me de os castigos e reprimendas passarem a ser em dias sem telemóvel (ou não me pagarem carregamentos), dias sem internet e coisas assim – apesar de não serem muito comuns, chateavam. 🙂 E eu vim da geração transitória! Vamos aos GenZ e temos rebeliões a acontecer por menos do que isto 😉

Photo by Julia M Cameron on Pexels.com

Os horários e as rotinas mudaram

Nesta geração, é cada vez mais comuns vermos crianças em idade escolar (primeiro ciclo, para ser mais clara) com telemóvel próprio – ainda que com condicionantes. Além disso, têm à disposição estímulos durante todo o tempo que estão acordadas, o que tem impactos no sono infantil.

Isto parece uma história da Carochinha, mas sigam-me, por favor.

Ora então, não é preciso ser cientista para saber o quão importante é o sono para os bebés e as crianças pequenas. Também é importante para os pais conseguirem ter um bom descanso. Para todos nós, o sono promove o crescimento, ajuda a fortalecer o sistema imunológico e até tem benefícios na capacidade de concentração. Portanto, se pensarmos que poemos viver “agarrados” à tecnologia o dia todo, noite incluída, podemos, sem nos apercebermos, ter um sono pior por causa disso.

Eu deixo as minhas filhas utilizarem o tablet. Deixo e controlo o que elas lá fazem. Têm acesso a uns quantos jogos educativos, meia dúzia de vídeos e só o podem utilizar em alguns períodos do dia. O tablet e a tecnologia não são os inimigos – estes miúdos vão utilizar tudo isto e muito mais, mais cedo ou mais tarde. No entanto, assim como eu evito utilizar o telemóvel nos momentos antes de ir dormir, também faço o mesmo com elas, por exemplo. Também tento concentrar-me mais nelas em vez de estar sempre a olhar para o amiguinho.

Vocês, fazem o mesmo? Têm noção do tempo diário de utilização dos vossos dispositivos? 🙂

Qurem sugerir alguma aplicação a este fórum? 😉 Deixem nos comentários, aqui ou na página.

Nos últimos anos, assistimos a uma explosão de aplicações para smartphone e tablet que tentam ajudar os nossos filhos a desenvolver competências, e a desenvolverem aprendizagens desde os primeiros anos de vida. Muitas destas são bastante eficazes, têm recursos interativos que ajudam as crianças a desenvolver habilidades motoras e alfabetização digital, além das aprendizagens básicas da matemática, leitura e escrita.

No entanto, creio que qualquer um de nós conhece o outro lado da moeda: como dizia acima, um smartphone facilmente se transforma numa distração, numa bengala, para pais e filhos. É comum vermos este recurso à refeição – não nego tê-lo feito em situações mais críticas fora de casa, mas contam-se pelos dedos das mãos nestes anos todos. E não foi de ânimo leve.

O pior cenário, na minha opinião, será a distração dos pais com o telemóvel levar a hábitos menos saudáveis ​​às refeições, por exemplo, e até a menos interações sociais com a família e com os seus pares. Aqui, não utilizamos o telemóvel à mesa, salvo as raras exceções que mencionei acima. Também não estamos a ver o telemóvel no carro, nem enquanto caminhamos na rua. Há momentos para isso e digo-vos que me parece mais difícil explicar isto aos pais do que às crianças – elas imitam o que vêem.

Isto nem é uma discussão – nem sequer é uma procura pela verdade. Diria que ela está no meio, mas façam como eu e vejam nos vossos telemóveis quanto tempo passam a mexer neles e se calhar ficarão surpreendidos.

A tecnologia pode promover a aprendizagem e o desenvolvimento de forma eficaz, quando usada intencionalmente, considerando uma prática adequada ao desenvolvimento e como apoio às metas de aprendizagem estabelecidas para cada criança.

Por outras palavras, a tecnologia e a internet (incluindo aqui a IoT – Internet of Things ou Internet das Coisas) podem ser ótimas ferramentas para os pais, se usadas com critérios. Dessa forma, entendo que possa ser fundamental para ajudar o desenvolvimento das crianças e para os familiarizar com ambiente digital. Temos que fazer o exercício consciente de pensar sobre a tecnologia à qual desejamos expor os nossos filhos, puxar a natureza benéfica do meio e acompanhar a utilização.

Photo by Anete Lusina on Pexels.com

Tecnologia na pandemia

Sem surpresas, a tecnologias ajudaram-nos a ultrapassar as distâncias que a Covid-19 nos trouxe: fazemos videochamadas com regularidade, partilhamos mais conteúdo pelas redes (no nosso caso até é mais só diretamente com a família) e sentimo-nos mais próximos uns dos outros.

Além disso, mexeu com o mercado de trabalho: funções que antes estavam “presas” à secretária, passaram a poder ser remotas, o que permitiu que algumas pessoas encontrassem momentos de qualidade que antes não tinham.

Também tornou grande parte dos utilizadores mais conscientes dos perigos – seja pelos conteúdos, seja pela segurança das redes. 😉

Temos todos muita informação à nossa disposição que nos ajuda a sermos pais mais atentos e presentes, utilizando os dispositivos digitais. Não somos melhores – nem piores – por fazermos uso disso.

Continuem a ter livros, lápis de cor, tintas, areia nos sapatos, terra nas mãos e tudo é possível.

E pronto, já vou longa nesta minha meditação, que espero que tenham acompanhado e que tenham algo para partilhar comigo.

Digam-me se valer a pena explorar algumas aplicações para pais e filhos e partilhar depois isso aqui 😉

Gostaria imenso de continuar esta conversa convosco e saber quais os vossos hábitos, pensamentos e recomendações!

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