Voltei ao yoga — e desta vez é diferente

Há cerca de 16 anos comecei a praticar yoga. Uma vez por semana, sessões de duas horas e meia, às vezes três. Durante três anos seguidos. Era uma daquelas coisas que se tornaram parte de mim sem eu me aperceber muito bem quando, de repente, estava lá, era a minha coisa, o meu tempo.

Depois a instrutora mudou, foi para Avintes (que, para mim, é bastante longe). Fiquei no Ashrama onde estava, com o novo professor, mas não me identifiquei com ele. Tentei adaptar-me, mas não foi a mesma coisa, e a dada altura deixei de ir, até porque não era uma modalidade barata. Não foi uma decisão dramática. Foi mais um daqueles abandonos suaves que acontecem quando a alternativa não é boa o suficiente para nos fazer insistir, mas fiquei com pena na altura.

Passei para o ginásio. Ficou assim durante anos, até meio da minha primeira gravidez, altura em que parei de praticar desporto.

Woman doing Warrior II yoga pose on purple mat in outdoor pavilion
Foto de uma mulher a praticar Yoga – posição do guerreiro – num tapete de yoga desgastado, num espaço sereno, com vista para o exterior

O regresso

Há dois ou três meses voltei. Não foi por uma razão específica, mas foi por uma mistura de vários fatores. O stress acumulado. A dificuldade em desligar do trabalho quando o dia acaba. As costas e o pescoço sempre tensos. O humor a definhar. E uma voz lá no fundo a dizer que precisava de tempo que fosse mesmo meu, não partilhado com mais ninguém nem com mais nenhuma obrigação.

Encontrei uma aula num ginásio perto de casa, fui na primeira semana um bocadinho de pé atrás: aquela sensação de “e se não gostar e for uma desilusão?”. Já tinha experimentado quando estive nos ginásios antes, e nunca gostei porque não são espaços confortáveis e são muito barulhentos. Mas pensei que agora, com mais distância da experiência que eu tinha tido (a memória recente nem sempre nos ajuda a relativizar as coisas) e com maior necessidade, pudesse gostar e adaptar-me. Fui e saí de lá a lembrar-me de porque é que isto tinha sido tão importante para mim.

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O que mudou em dois ou três meses

Não quero exagerar nem fazer disto uma história de transformação milagrosa, porque não é. Mas há coisas que já noto, e acho que vale a pena ser honesta sobre elas.

O humor e a ansiedade. É o mais evidente. Não é que os dias difíceis tenham desaparecido, mas quando aparecem tenho mais margem para os aguentar. Como se a prática regular me desse um bocadinho mais de espaço entre o que acontece e a forma como reajo. Claro que isto não é só fruto do Yoga, mas ajuda.

O sono. Durmo melhor. Não todas as noites, não de forma mágica, mas há uma diferença real nas noites a seguir às aulas. O corpo chega à cama mais solto, a cabeça mais quieta.

O corpo. Quem trabalha em frente a um computador sabe o que é carregar a tensão no pescoço e nas costas como se fossem uma segunda mochila. Não desapareceu, mas está mais gerível. E há posturas que me lembram que o corpo existe para além do ecrã — o que, por ridículo que pareça, é uma lembrança que preciso de ter regularmente.

O tempo para mim. Este talvez seja o mais difícil de explicar. Há qualquer coisa em ter uma hora que é só minha — sem telemóvel, sem lista de tarefas, sem ninguém a precisar de nada — que faz diferença mesmo que não aconteça mais nada durante essa hora. O simples facto de existir esse espaço já ajuda.

Para quem está a pensar começar (ou recomeçar)

Não sou instrutora nem especialista. Sou só alguém que voltou a uma prática depois de muito tempo e que está a gostar da pessoa que fica depois das aulas.

Mas se estão a pensar dar o passo — seja começar de raiz ou voltar depois de uma pausa longa — deixo-vos o que aprendi:

Não precisam de ser flexíveis para começar. Esta é a desculpa número um e é completamente ao contrário: vai-se ao yoga para ganhar flexibilidade, não porque já se tem. Eu voltei com um corpo que tinha passado anos no ginásio e na secretária, e as primeiras aulas foram um aviso muito claro de quanto tinha perdido. E tudo bem.

O instrutor importa muito. Mais do que o estilo, mais do que o horário, mais do que o ginásio. Já aprendi isto da forma difícil. Se não se identificarem com quem dá a aula, experimentem outra pessoa antes de desistir do Yoga em geral.

A regularidade bate a intensidade. Uma aula por semana de forma consistente faz muito mais do que três aulas numa semana e nenhuma no mês seguinte. É uma prática, não um sprint.

Os efeitos não são imediatos, mas também não demoram tanto quanto pensam. Em duas ou três semanas já se sente qualquer coisa. Não é transformação, é só um ligeiro abrandamento. Mas é suficiente para querer continuar.

Estou curiosa: há alguém por aqui que pratique yoga, ou que tenha deixado e esteja a pensar voltar? Contém-me nos comentários. 👇

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