Confesso que fui com expectativas moderadas. Sabia que era uma exposição imersiva, que havia realidade virtual, que estava na Alfândega, mas não sabia bem o que esperar de concreto. As anteriores exposições lá sobre o tema foram banhadas enormes, dinheiro mal gasto, mas que vale a pena pelas Pipocas, que não têm tanta noção das coisas. Mas lá fomos nós, sempre de pé atrás, especialmente consideerando que, em Bordéus, tínhamos ido a uma experiência imersiva muito boa. As Pipocas, essas, foram cheias de entusiasmo desde o momento em que lhes dissemos onde íamos.
Saímos de lá com uma opinião partilhada: giro. Não overwhelming, mas giro, e com a ressalva importante de que os bilhetes os comprámos com desconto, o que faz diferença na equação.
O que é o Dino Experience
O Dino Experience é “a maior exposição imersiva digital de dinossauros de Portugal” (dito por eles), instalada na Immersivus Gallery, dentro da Alfândega do Porto. Foi criada pelo atelier OCUBO com supervisão científica do Museu da Lourinhã e apoio do Museu de História Natural e da Ciência da Universidade do Porto. Ou seja: não é só espectáculo. Há ciência por detrás e o conteúdo é verificado.
A experiência divide-se em vários núcleos, cada um com um formato diferente: projecções 360º, realidade aumentada, realidade virtual, sons, e alguma interação. Calculem cerca de uma hora para aproveitar.
Por onde passámos
A exposição principal — melhor do que esperava
A experiência começa numa sala imersiva grande, com projecções nas paredes, chão e tecto. Os textos estão em Português e em Inglês e a narração é com áudio-guia, no nosso caso, em Português. Durante cerca de 15 minutos, vão passando diferentes dinossauros, cada um com uma ficha de informação: nível de perigo (de 0 a 5), tamanho, tipo de alimentação, período em que viveu.

É quase como um álbum de cromos em versão cinematográfica, com escala e som. As Pipocas ficaram completamente presas do início ao fim, a comentar cada dinossauro e a discutir qual era o mais perigoso. Está bem feito.

A sala histórica — simpática, mas modesta
A seguir subimos para uma sala com painéis informativos sobre os dinossauros em Portugal e uma actividade de escavação de fósseis.

Na prática, a escavação é uma caixa de areia de aproximadamente um metro quadrado com um osso grande enterrado. Não há muito para explorar, e há bastante leitura, pelo que pode não ser tão fácil prender os miúdos lá.

As Pipocas fizeram uma passagem rápida e seguiram em frente, apesar de irmos lendo o que estava presente e ligando a coisas que tínhamos visto no Dino Parque. É uma adição interessante em conceito, mas podia ter mais substância.
A realidade virtual — o ponto alto absoluto
O melhor da visita foi, sem dúvida, a experiência de realidade virtual. E não é a realidade virtual de estar sentado com uns óculos a ver: as Pipocas (e nós) andaram pelo espaço, interagiram com os elementos e fizeram uma viagem no tempo com um paleontólogo à descoberta de um fóssil misterioso. Segundo nos contaram lá, é a primeira experiência deste tipo em Portugal, chamam-lhe LBVR (Location-Based Virtual Reality) e percebe-se porquê é especial mal se colocam os óculos.
A sala final — pequena, para 5 minutos finais
O percurso termina numa sala mais pequena com um par de interacções digitais. É curto e modesto depois da realidade virtual, mas serve bem como desfecho. As miúdas exploraram o que havia e saímos sem a sensação de que tinha faltado alguma coisa — só com a consciência de que a RV tinha sido, de longe, o momento da visita.
Informação prática
Localização: Immersivus Gallery, Alfândega do Porto — Rua Nova da Alfândega, Porto. Nós deixámos o carro no parque da própria Alfândega, que é mesmo ali ao lado e muito cómodo.
Horários: de terça a domingo. Em dias úteis das 14h às 18h; ao fim de semana também de manhã (10h às 11h). Confirmem as datas no site antes de irem, pois a exposição tem duração limitada.
Bilhetes: pagámos 12€ por criança e 14€ por adulto, na Odisseias. Recomendo comprar online com antecedência, especialmente ao fim de semana.
Duração: calculem cerca de 1h. É um programa de manhã ou de tarde, perfeito para combinar com outra coisa a seguir — como um almoço ali perto.
A partir de que idade? A exposição é indicada para crianças a partir dos 3 anos, mas na minha opinião aproveita-se muito mais a partir dos 6 anos, quando já conseguem absorver a informação e interagir com a realidade virtual de forma mais consciente. Com 6 e 8 anos foi mesmo o momento certo.
A seguir — almoço na Peneira
Depois da exposição, fomos almoçar à Peneira, que fica a poucos minutos a pé. Uma dica: se fizerem reserva pelo TheFork, têm 30% de desconto em toda a comida (bebidas excluídas). Nós fizemos e compensou bem. A comida é boa (recomendo as pizzas), e o espaço é simpático para ir em família.

Fica a sugestão para completarem o programa, e depois ainda conseguem dar uma volta pela zona para moerem o almoço!
Vale a pena?
Depende. Com desconto, sim, sem hesitar. A experiência da realidade virtual sozinha justifica a ida, a exposição principal é visualmente muito boa, e as crianças saem entusiasmadas e com informação nova na cabeça. Para um programa de tarde em família, é uma escolha sólida.
A preço inteiro, já é uma decisão mais pessoal. A visita é curta para o investimento, e há momentos, como a sala de escavação, que podiam ter mais substância. Mas se os vossos miúdos são fãs de dinossauros ou de tecnologia imersiva, provavelmente vai mesmo assim valer a pena.
A dica é procurar bilhetes com desconto: nós comprámos na Odisseias e compensou bem. Vale a pena pesquisar antes de comprar a preço normal.
Se estão à procura de um programa diferente para fazer com os miúdos no Porto, ponham o Dino Experience na lista, mas com as expectativas bem calibradas. Se já foram, contem-me nos comentários o que acharam! 👇
