Ontem foi dia da vacina contra a COVID-19

Ontem foi finalmente o dia de dar o bracinho para tomar a vacina mais aguardada do último ano! Que felicidade!

A minha marcação foi no Porto, na Escola Prática de Transmissões; apesar de ter centenas de pessoas à miha frente (umas 300, estimando), demorei pouco mais de 1h15 na fila e depois os 30 minutos do recobro. Estando na fila, ia ouvindo pessoas a conversar entre si ou ao telefone e dúvidas a sugirem. Sugiro que, se tiverem questões sobre este tema, visitem o site do SNS dedicado à Covid-19. Para ajudar, coloco aqui alguma da informação que li por lá 🙂

Photo by Chokniti Khongchum on Pexels.com

Ouvi uma das pessoas a dizer “nem sei se deva tomar a vacina, ouve-se tanta coisa que às tantas nem é segura”… o SNS esclarece e bem:

As vacinas administradas são comprovadamente seguras, tendo sido testadas em ensaios clínicos com amostra relevante. Trocando por miúdos, quando se desenvolve um medicamento – seja uma vacina, um comprimido, ou noutra forma qualquer, são feitos vários testes, faseados: primeiro em laboratório, em que “misturam” os vários componentes e avaliam como reage na presença de um vírus, e depois com animais e pessoas (nem sempre são testados em animais, mas pode acontecer). Depois disto tudo verificado e validado, ainda é feita uma avaliação rigorosa pela Agência Europeia de Medicamentos, a entidade que garante a avaliação científica, a supervisão e o controlo da segurança dos medicamentos para uso humano e animal na União Europeia.

Portanto, não é algo feito de ânimo leve e que baste ter funcionado uma vez. Bem pelo contrário: é muito controlado e tudo é registado.

Nos ensaios clínicos, dezenas de milhares de voluntários foram vacinados e comparados com um número idêntico de voluntários não vacinados. Isto permite comparar diretamente o efeito da vacinação versus da não vacinação daquela vacina específica. As amostras têm que ser semelhantes e isso também é controlado. Durante os ensaios, os voluntários vacinados foram acompanhados para ser avaliada a segurança das vacinas, ao longo de mais de seis semanas (o período em que habitualmente podem surgir efeitos adversos comuns após a toma de vacinas). Nesse grupo de voluntários, segundo os registos dessas vacinas, não ocorreram efeitos secundários graves (em frequência ou intensidade) que colocassem em causa a segurança dos medicamentos.

Paralelamente, conseguiram estudar que, quem estivesse vacinado teria uma maior probabilidade de, sendo infetado, ter uma carga viral reduzida – isto é, a vacina dá-nos defesas, mas nós podemos na mesma apanhar a doença, mas como já temos mais defesas (por causa da vacina), o que teremos serão sintomas mais ligeiros, por exemplo.

Dou-vos aqui dois exemplos.

Primeiro: vacinas contra meningites (independentemente da variante).

Vocês tomam e, por alguma razão, são infetados com uma variante que até vinha na vacina. Podem ter que ir na mesma para o hospital sentindo-se mal (acreditem que uma meningite não é nada meiga) mas dificilmente será algo tão galopante ou atroz como se não estiverem vacinados.

Tal como este coronavírus, também no caso das meningites vemos várias variantes: a meningite A, B, C, W e Y. Inicialmente, o PNV incluía apenas a vacinação contra a Meningite C, predominante no nosso país, aos 12 meses. No entanto, como há um enorme fluxo de pessoas entre países, as restantes variantes foram chegando cá e foi incluída também a do tipo B (Bexsero), que até 2019 era uma vacina extra plano. Em grupos de risco, pode ainda ser avaliada a possibilidade de administrar a Nimenrix, a vacina contra as variantes A, C, W e Y (ou podem optar por fazer como nós e comprar à parte). Ou seja, tal como há variantes do coronavírus, há também das meningites (se uma forma muito simplista), por isso é natural que, ao longo do tempo, sejam refinadas as vacinas existentes e revistos os planos.

Segundo: vacina a gripe.

A vacina da gripe é como um clássico do fim do verão: muita gente a toma na preparação para o inverno, acabando até por, frequentemente, ter um livre-passe para dois dias de cama como reação adversa. E se calhar depois apanham gripe na mesma. É normal. É normal que apanhem a gripe, mas se pensarem bem, possivelmente não vos deixa tão mal como se não tivessem tomado a vacina. Ou em vez de passarem o inverno todo de lenço em riste, se calhar tiveram 2 ou 3 episódios em vários meses.

Também é normal que tenham que tomar esta vacina todos os anos. Isto porque o vírus da gripe é dos mais disseminados pelo mundo fora e consegue adaptar-se e mudar-se muito rapidamente. Assim, à medida que ele se muda, as vacinas evoluem para incluir novas variantes. O mesmo pode (e provavelmente irá) acontecer com as vacinas contra o Sars-Cov-2. Neste momento, há imensos laboratórios a tentar desenvolver uma vacina que seja a mais eficiente contra a variante delta. Há estudos sobre as que já existem também.

Portanto, nós estamos a tomar uma vacina que pode ainda não ser 100% eficaz contra aquela variante específica, mas que ajuda a que não seja tão grave. Mais tarde, será possível adminstrar (seja gratuitamente, no PNV, ou comprando) vacinas contra aquela outra variante.

Photo by Nataliya Vaitkevich on Pexels.com

Outra dúvida que surgiu na fila era se podíamos ficar doentes depois de tomar a vacina contra a Covid-19.

Tal como no exemplo que vos dei da vacina da gripe que, em muitas pessoas, causa alguma febre, mal-estar e afins, ou como em qualquer outro medicamento, é possível que tenham algum efeito secundário.

Na maioria dos casos, efeitos são ligeiros, e reduzem-se a dor (como pisado ou dormência) local da injeção, dor de cabeça, dores musculares ou das articulações, febre, sensação de cansaço e sonolência, e mal-estar geral. Isto tanto vos pode acontecer com esta vacina como outro medicamento que tenham que tomar e estas coisas vêm sempre descritas nas bulas. Neste caso, estes efeitos desaparecem espontaneamente em 3 dias (tomam paracetamol se tiverem febre, ficam mais resguardados, e passa).

No no caso de sintomas mais graves e persistentes, consultem o vosso centro de saúde ou a linha Saúde 24 (800 24 24 24): falta de ar, dor no tórax, inchaço nas pernas, dor abdominal persistente, dores de cabeça intensas e persistentes (mais de 3 dias), alterações da visão, pontos vermelhos ou manchas na pele em local distinto do local da injeção. Podem até ser situações independentes à toma da vacina, mas nesse caso falem com um médico.

Mais um exemplo (hoje estou cheia destes), pensem no seguinte cenário: a vossa criança tomou ontem de manhã a vacina contra a meningite (volto a esta por ser mais chata) e à noite fez febre. Vocês já sabem a rotina: acompanhar, dar paracetamol e intercalar com ibuprofeno se necessário, fazer gelo na zona da picada e, se em3 a 5 dias (vos dirão ao administrar a vacina) não passar ou se os sintomas forem para além disto, ligam ao pediatra ou vão às urgências. Nesta é igual.

Para fechar estes parágrafos: a vacina não contém o vírus da Covid-19, vocês não podem apanhar Covid-19 através da vacina – a única forma de serem infetados com esta doença é estarem em contacto com alguém contaminado.

Photo by Eternal Happiness on Pexels.com

Escolhi esta foto acima por ser calma, uma ponte para o “zen” após ter tomado a vacina. Não tive sintomas – tive imenso sono, mas como na noite anterior acordei perto das 4h e depois não dormi mais, pode muito bem ser disso. Não tive inchaço nem dormência no braço – apenas o pisado normal de uma qualquer vacina. A enfermeira Fernanda, que foi quem me atendeu, foi muito simpática e impecável ao dar a vacina. Nem senti nada e demorei 2 minutos no cubículo. Agradeci à sáida e fui para o recobro, ontem estive entretida com um livrito e o telemóvel durante os 30 minutos indicados. E depois voltei ao trabalho.

Tudo muito tranquilo. 🙂

No dia 2 de agosto lá irei eu à segunda dose! 😉

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