Mais sobre a ligação mãe / bebé: as minhas terapias

Quem acompanha o blogue há alguns meses pode já ter lido a publicação sobre o sentimento de falta de ligação entre mãe e bebé – o meu caso pessoal.

Depois de meses a sentir-me frequentemente sem chão e a pior pessoa à face da terra –

afinal, quem é que tem um bebé e não sente logo um amor feliz e extremo por esse pequeno ser? Após a pesquisa e partilha no post que vos menciono acima, a situação manteve-se, mas tentei que os dias da minha licença fossem mais serenos. Estaria a mentir se disse que gostei da licença e que, de repente, tudo ficou resolvido. Muito longe disso.

Há algumas semanas, fui a uma sessão de acupunctura e partilhei os meus sentimentos com a Andreia. Ela recomendou-me fazer uma sessão de hipnoterapia com a Marta Lima, da Nascimento Consciente. Fui falar com ela e fiz a sessão, sem expectativas.

Antes de avançar sobre a experiência, vou clarificar-vos em que consiste. De uma forma simples e rápida, começámos por conversar as duas sobre o que me levou lá. Depois de alinhadas as agulhas, passámos para uma regressão controlada pela Marta. Creio que há aqui vários mitos a desfazer: eu não fiquei hipnotizada (portanto esqueçam lá aquele senhor do “firme e hirto”), nem fiquei inconsciente. Este tipo de terapia consiste mais numa viagem mental que começa com o nosso relaxamento, para que sejamos levados a momentos que nos marcaram, dos quais podíamos ou não estar cientes.

Durante todo o tempo, podemos falar, rir, reagir, chorar, etc; em nada somos privados das nossas emoções. Antes pelo contrário, somos conduzidos até pontos-chave que precisamos de perceber para desatarmos alguns nós, digamos. Posso garantir-vos que me lembro bem desses pontos, com mais ou menos detalhe. Cada um terá a sua experiência, e pode haver quem não se recorde de tanta coisa como eu, mas será porque é um percurso que vai a momentos mais escondidos da nossa memória. Também vos garanto que foi um processo cansativo. Saí de lá bem, mas a meio da tarde já não tinha energia; tanto que fui tirar uma sesta 😜

Foi cansativo, mas valeu a pena. Consegui perceber quais os momentos que mais contribuíram para eu não ter uma relação com a minha filha mais nova. Tomei consciência deles e, desta forma, consegui, com a Marta, começar a trabalhá-los. 👌

Claro que as coisas não se resolvem num dia, mas foi fundamental para mim fazer esta viagem e ter a Marta ao meu lado. Ela é muito incisiva e tem já experiência com casos semelhantes, por isso correu muito bem. Ajudou-me a perceber que estava a culpabilizar-me excessivamente e a perceber por que razões o fazia, e como tratar desses problemas.

Atualmente, já tenho uma melhor relação com a minha filha, já existe mais normalidade. Já pego nela porque às vezes me dá vontade, já fico, por vezes, só a fazer-lhe companhia mesmo que durma, em vez de lhe virar costas mal adormecia.

São pequenos passos. Isto funcionou para mim, pode funcionar para mais gente. Não se deixem ficar sozinhas nestas situações;eu sei que é difícil lidar com estes sentimentos e que a culpa é enorme. Sei ainda que não são temas abertos e que criticar os outros é o prato do dia.

Mas procurem ajuda. E se quiserem falar comigo, podem enviar mensagem pela página. Seria um gosto.

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