Mais uma volta, mais uma espera…

Íamos nós a contar fazer a amniocentese na quarta-feira, mas quando fomos atendidos fomos confrontados com os receios da médica em fazer o exame às 29 semanas (ainda por cima com uma criança bem constituída – segundo consta – e agitada).

Aconselharam-nos a fazer primeiro a ecografia no dia 25 (já marcada desde a anterior) e só depois avançar para o exame. Desta forma, explicou, caso o exame desencadeie um parto prematuro, temos uma ecografia recente e já se passaram mais duas ou três semanas no desenvolvimento do feto.

Tentou também tranquilizar-nos, de certa forma, mas reviu connosco as informações sobre a infeção que apanhei, sobre o exame e um pouco sobre prematuridade.

O citomegalovírus (CMV)

A infeção que apanhei e que está a causar toda esta preocupação não tem profilaxia ainda criada e em termos de rastreio é difícil de apanhar (relativamente ao feto).

A infeção por citomegalovírus é uma infeção comum por herpesvírus com uma ampla gama de sintomas: desde nenhum até febre e cansaço (como se de uma gripe se tratasse) ou sintomas mais graves (dores internas, etc). Nenhum é, no entanto, apenas típico deste vírus, daí passar bem despercebido ou camuflado.

A transmissão é fácil, basta haver algum contacto com uma secreção (como a saliva, urina, etc) de alguém infetado. Por ser assim tão simples o contágio, há quem lhe chame o “vírus do irmão mais velho”.

A maioria das pessoas não tem muitos sintomas, mas algumas – como terá sido o meu caso – sentem-se doentes e apresentam febre ou sintomas de gripe. O diagnóstico é feito pela análise ao sangue, mas a infeção por este vírus é muito comum. Tirando durante a gravidez ou em momentos muito específicos (ex.: casos em que o infetado tem o sistema imunitário muito debilitado), normalmente o vírus não causa grandes mazelas.

No entanto, o vírus, durante a gravidez, o feto pode adquirir a infeção ou ou até durante o parto. O CMV pode causar sintomas logo após a infeção ou pode ficar em estado latente durante toda a vida.

Havendo um resultado positivo para uma infeção durante a gravidez, a única forma de saber se foi transmitido ao feto é através da amniocentese – o vírus é expelido pela urina do bebé. No entanto, mesmo havendo um resultado negativo, não é totalmente certo que não haja infeção porque a urina do feto fica muito diluída no líquido amniótico e a recolha pode não ter uma cultura suficiente para demonstrar um resultado positivo.

O cenário melhor é, ainda assim, esse: amniocentese com resultado negativo (apesar de não ser 100% concreto, a probabilidade de infeção reduz imenso). Nesse caso, ao nascimento é recolhida urina ao bebé para confirmação e, não havendo presença do vírus, confirma-se que não houve contágio.

No caso da amniocentese ter um resultado positivo, só após o nascimento se sabe se houve apenas infeção ou se de facto houve afetação do bebé. As ecografias morfológicas podem ajudar a despistar alguns problemas, mas a maioria deles apenas é detetável nos primeiros anos de vida – surdez, cegueira, microcefalia, epilepsia, atrasos no desenvolvimento, etc. Num cenário mais negro, pode levar à morte do recém-nascido por sangramento, anemia ou dano extenso ao fígado ou outros órgãos.

Havendo confirmação da infeção – independentemente da afetação – é normalmente dado logo ao recém-nascido um antivírico para controlar os possíveis sintomas. Depois é feito um controlo mais apertado do que numa criança perfeitamente saudável. O melhor cenário, neste caso, é haver infeção assintomática – ou seja, o bebé é portador do vírus, mas não exibe qualquer sintoma da doença e esta fica controlada no seu organismo.

 

Resumindo e concluindo

Estamos no mundo das probabilidades. A cada dia, vivemos esta falta de certezas do que está para vir e contamos os dias para a ecografia. Pedimos a todos os seres possíveis que a ecografia não apresente nada de alarmante – apenas uma criança saudável – porque já reduz as possibilidade de ter alguns dos problemas, pelo menos.

As semanas vão-se passando e nós já estamos a contar fazer a amniocentese depois da ecografia (pelas 31 / 32 semanas, dependendo do dia em que calhar), com direito a uma semana em que me vou transformar numa batata. E já vamos a contar com a possibilidade de haver um parto prematuro, mas cada vez mais próximo do termo da gravidez.

 

No meio disto tudo…

Comecei a ter as contrações de Braxton-Hicks. Ao contrário da primeira gravidez, foi bastante desconfortável e longo o período da primeira contração “a sério”, mas faz parte.

2 thoughts on “Mais uma volta, mais uma espera…

  1. O relato não pode ser mais esclarecedor. Não fazia ideia do vírus e das suas consequências. Seria fundamental que as futuras mamas estivessem a par desta possibilidade.
    Tenho a certeza que vai tudo correr bem!! 💚

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