Abordagem à morte

Este é um tema sensível. Culturalmente, estamos habituados a evitar abordar a morte, e fugimos deste tema até ser inevitável. E aí, e mais provável é não sabermos como pegar neste assunto, porque também nos desconforta e desola.

Há vários pontos de abordagem a este tema e diria que o devemos ir aproximando quando for surgindo em situações simples, como filmes que os pequenos vêem ou histórias que lhes lemos. Foi esse o caminho que seguimos cá em casa: há vários filmes da Disney em que um parente morre, normalmente após um evento como uma viagem (como os pais da Elsa e da Anna no “Frozen”) ou algo mais direto (como os caçadores na floresta no “Bambi”). Estes filmes já as acompanham há algum tempo e pegando na mais velha (que tem quase 5 anos! 🎇) fomos explicando e perguntando sobre isto. Por exemplo, os pais da Elsa e da Anna foram numa viagem de barco e não voltaram – começámos por perguntar o que ela achava que tinha acontecido e clarificámos que não iam voltar pais e porquê. Quando viram o “Frozen 2”, voltámos ao tema. E quando estas situações aparecem, vamos abordando.

A verdade é que estes filmes rodaram tantas vezes cá em casa que já os sabemos de cor e, a partir do momento em que sabemos que já também elas o sabem de cor e podem acrescentar camadas ao conhecimento, começamos a trazer temas como este para lhes explicarmos as coisas de uma forma verdadeira, mas suave.

Recentemente, tivemos a morte de um animal da família, Nicky, a cadela da minha sogra. Calhou de termos começado a ler o livro “A terra dos animais falantes” (Richard Zimler) que aborda este tema muito bem. Para lhe dar a notícia, comecei por dizer que a Nicky tinha adoecido. Quis a coincidência que a história do livro fosse exatamente sobre um menino cuja cadela velhinha tinha adoecido e falecido.

Ela fez-me algumas perguntas – perguntou-me logo se a Nicky tinha falecido e até me surpreendeu -, e eu fui respondendo correspondendo à verdade, mas sem necessidade de tornar as coisas demasiado negras. Perguntou-me se morrer era como dormir muito e eu expliquei que não é a mesma coisa, porque quando dormimos, a seguir acordamos, e depois dormimos outra vez e voltamos a acordar no dia seguinte. Perguntou-me se o pai ia morrer – eu pensei que era por ele ter estado adoentado, mas não; ela achava que, por ter barba grisalha, ele era velhinho e ia morrer. Também expliquei que não; que o pai não é velhinho (até há crianças com cabelos brancos), e que não ia falecer já.

Nós sabemos que a morte não é linear: não acontece só depois de determinada idade nem quando adoecemos, mas para o caso não é relevante trazer tanta informação. Iremos trazê-la à medida que for havendo mais espaço emocional para tal.

Fiquei muito surpreendida com a forma como a minha filha lidou com esta perda. Ainda não sei como é que ela irá reagir a ir lá a casa sem a Nicky lá estar, mas acredito que tenha ficado claro para ela que não retorno desta viagem.

E vocês, como abordam a morte com os vossos pequenos? Já o fizeram? Que dificuldades sentiram?

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