O quadro do comportamento

Todos nós somos sensíveis a determinadas motivações, seja na infância, seja numa idade adulta.

Hás cerca de 3 meses, começámos a reparar que a Pipoca mais crescida andava a amuar mais, a embirrar com coisas que eram normalmente satisfatórias para ela, e a entrar numa espiral difícil de sair. Perdíamos a paciência, o que não ajudava, e era uma constante de mau comportamento gera mau comportamento. Na escola, isto acontecia numa escala muito acima da que estávamos habituados a ver em casa, com choradeiras a começar por “sabe-se lá bem o quê” e que duravam uma hora inteira (literalmente).

Tentámos várias aproximações: começámos sempre por dialogar com ela, para perceber se haveria alguma coisa na escola – ou em casa – que motivasse este retrocesso no comportamento, mas nada veio dali. Depois disso, a cada dia tentávamos coisas novas: negociar, fazer compromisso, etc. Nada mudou.

Depois lembrei-me de algo que utilizei no desfralde dela: um quadro. Na altura, era um quadro para o desfralde, em que cada quadrado podia ser preenchido com um carimbo se ela fosse ao pote ou sanita e a cada x dias tinha uma recompensa.

Adaptámos para esta realidade e fizemos um quadro do comportamento. Nós sabemos que ela é muito perfecionista nos desenhos e letras que faz (talvez acima do que poderia ser com 4 anos, mas adiante), e que gosta de ter tudo harmonioso e feliz. Então, neste novo quadro, cada quadrado é um dia e ela todos os dias vai lá preencher uma carinha feliz (se se portou bem) ou uma carinha triste (se houve alguma birra ou amuo dos grandes e desnecessários). Ela faz o desenho escreve o número do dia para saber quantos dias seguidos já preencheu.

O nosso quadro do comportamento: desalinhado e com números em todas as direções, mas serve perfeitamente para este caso 😉

Desde que começámos este quadro que nunca mais tivemos berrarias nem amuos por aí além. Damos na mesma espaço para a birra ocasional – todos acordamos com o tau de vez em quando -mas ela sabe que se se portar mal vai lá desenhar uma cara triste.

Dois pontos muito importantes aqui: ela não quer mesmo nada desenhar uma cara triste (pelo significado) e ela sabe que é ela que terá que desenhar a carinha do dia.

É importante ela fazer isso porque há uma maior consciencialização sobre a motivação e resultado: se ela se porta mal, o castigo é a cara triste que ela terá que desenhar; se ela se porta bem, a recompensa é desenhar a cara feliz.

Tem funcionado muito bem – estamos com este quadro há uma semana e até ver só tem carinhas felizes. 😉

Funciona com a nossa filha assim; só tenho pena de não me ter lembrado mais cedo!

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