A Mamã convida: Um testemunho sobre Perda Gestacional

O post de hoje traz o testemunho da Ana Dias, sobre Perda Gestacional. É um tema que ainda não tinha sido abordado neste espaço, mas faz sentido começar a dar-lhe voz, porque afeta muitas mulheres e o apoio nem sempre é o melhor.

Obrigada, Ana, novamente ❤️

“Olá, chamo-me Ana Dias, e tive um Aborto Espontâneo a 3 de Janeiro de 2014, às 6 semanas.

Estava em casa sozinha e fui a casa de banho, e vi uma hemorragia, telefonei imediatamente ao INEM, que vieram prontamente e fui para a MAC em Lisboa.

Lá me observaram, e deram-me o diagnóstico sozinha, gravidez anembrionária, apos varias insistencias minhas, lá me explicaram o que tinha acontecido. Esta era a minha primeira gravidez. Neste processo, nunca tive o Apoio Psicológico.

Após este processo, fui mandada para casa, com vigilância.

Quando regressei a casa, não estava muito bem psicologicamente, devido a este episódio e também a episódios muito marcantes da minha vida, que ainda não estão totalmente fechados, e por isso, necessito de algum apoio psicológico, só para desabafar e me sentir apoiada. Tive alguns episódios em que dei entrada em Urgência Psiquiátrica nesta altura, no Hospital de S. José, porque não aceitava tudo isto… porém, nunca quis tomar os medicamentos que em Psiquiatria me quiseram dar.

Posteriormente, não conseguia ter relações sexuais, mas após algum tempo, iniciei consultas com o Ginecologista Hospital dos Lusíadas, em que descubro que tenho quistos no ovário, mas nada que me impeça de engravidar, visto que já fui Obesa Mórbida, tive 120 kgs e fiz um Bypass Gástrico com Anel há quase 11 anos, tendo neste momento 60 a 63 kgs.

Neste entretanto, quase ninguém soube que estive grávida e que perdi, só eu e o meu marido e algumas pessoas mais próximas de família.

Entretanto, consegui ultrapassar as dificuldades, e comecei a ter consultas de Psicologia no meu Centro de Saúde, a meu pedido devido aos meus problemas familiares do passado, que ainda continuam presentes, e fui falando deste episodio.

O meu companheiro foi um grande herói, ajudou-me imenso, fez de tudo e tudo o que quis, para me animar.

Entrementes, engravidei novamente e fui ao Médico de Família que se tinha reformado e que só tomei conhecimento neste processo de fazer as análises para saber realmente se estava grávida, mas como não tinha médico de família, resolvi continuar as consultas no Ginecologista no Hospital Lusíadas, que me inicia nas consultas lá.

Porém, numa consulta pesa-me e mede a minha tensão arterial, que estava muito alta, para uma grávida.

Tentou encaminhar-me para uma colega no Hospital de Santa Maria, no dia a seguir, mas no dia a seguir eu tinha uma Amniocentese marcada para o Hospital da Estefânia, porque numa das ecografias, não conseguiram auscultar o bebé devidamente. Por precaução, marcaram a Amniocentese, até porque já fiz uma Abdominoplastia, e tenho uma grande costura, e por não terem conseguido medir alguns parâmetros do bebe, foi-me aconselhado fazer a Amniocentese e assim, a colega do meu Ginecologista não me recebeu, visto que estava a ser seguida na Estefânia, e não podia ser seguida em dois Hospitais na gravidez.

Fiz a Amniocentese, e fui tentando contactar o meu Ginecologista devido à tensão, mas nunca me atendeu os telefonemas.

Sempre fui medindo a tensão em Farmácias, que me recomendavam ir as Urgências do Hospital da S. José… estive este tempo todo, de baixa médica normal, porque não tinha médico de família, só médicos de recurso.

Depois, chamaram-me a mim e ao meu companheiro, para fazermos umas análises ao sangue no Hospital da Estefânia, que deviam ter sido feitas aquando da Amniocentese, mas que por lapso médico, esqueceram-se de nos comunicar.

Nestes instantes, só saia para ir aos médicos e a curtas distâncias perto de casa.

Passaram os 3 meses, e comunicamos a todos que estava grávida.

Nunca tive outros sinais, sintomas… Só algumas mexidas, que pensávamos que era o nosso bebé.

Ia fazendo as ecografias normais, no Hospital da Estefânia e descobrimos que era um menino… radiantes, apesar de pensarmos que seria menina, e já tínhamos nome… Sofia. Decidimos que seria então, Francisco, em homenagem aos meus avôs materno e paterno, que se chamavam ambos Francisco.

Nisto, sou colocada em consultas de Hipertensão na MAC, devido as tensões arteriais muito altas, que poderia colocar-me a mim e ao Francisco em risco.

Sou medicada, mas a medicação não faz efeito, e como estava num estado muito avançado da gravidez, não me podem dar outra medicação.

Mais uma vez, estou sozinha em casa, após o almoço e sinto uma vontade enorme de ir a casa de banho, vou, e obro e percebo que estou a ter uma hemorragia…. Muito grande…. Deito-me, chamo o INEM, que desta vez, demora muito a chegar, telefono ao meu companheiro…. Entretanto, o INEM chega e vou para a MAC.

Lá, sou observada, e tenho a pior notícia….

O Francisco esta a lutar por viver…. Não me explicam nada. Sou logo internada, e o que me dizem que querem ver se consigo aguentar ate as 24 semanas. Sim, seria prematuro, mas poderia se salvar.

Estive 5 dias, a agonizar com dores, agora sei que foram contracções, visto terem-me dado medicação para tal. Estive ao lado de gestantes que estavam já em estado de gravidez avançado, outras com 23 semanas que estavam numa situação parecida mas menos grave que eu.

Apanhei greve de Enfermeiros e Médicos, o que me diziam, é que eu já sabia o que ia acontecer, que sabia a minha situação, não havia nada a fazer… Não me lavaram, a alimentação não era a mais apropriada para mim, pela gravidez e pelo bypass; fui colocada numa cama, distante de tudo… Estava proibida de ir a casa de banho, pelos meus meios, e as auxiliares, não queriam colocar-me a arrastadeira, e queriam que eu fosse sozinha a casa de banho… lá gritei, lá chorei, e insisti muito, e lá me colocavam a arrastadeira, que vinha cheia de sangue, de corrimento, etc.

Quis morrer, quis morrer com o meu filho, quis que ele vivesse, e eu morresse….

Apoio psicológico nulo…. Ouvir o seu coração, era um misto de emoções… Queria que ele vivesse, mas também sabia que estava em sofrimento…

Domingo, 26 de Outubro a tarde, ate 1 hora, antes de ir para a Sala de Partos, ouvimos o coração do Francisco…. Na ultima, já não ouvimos…

Fui para a Sala de Partos, encontrei-me lá com o meu companheiro, e fizemos nós o parto do Francisco sozinhos…

O Enfermeiro/Parteiro, entrou para me rebentar as águas com um soco, e saiu…. Jogo do Benfica, nesse dia…

Eu gritava por ajuda, o meu marido, perdido… ninguém nos ligava… lá entravam e diziam faça força, se sentir vontade de fazer chichi ou coco, faça força… eu estive 5 dias a agonizar de dores, não tinha mais forças… eu queria morrer…

Lá consegui…. Lá vieram os médicos e enfermeiros… o Francisco nasceu… e eu ouvi… “Estão a tratar dele”… eu pensei, ele sobreviveu, o meu menino… estão a ajudá-lo na incubadora… mas não….

O Enfermeiro esteve muito tempo para me retirar a Placenta, eu sem forças, só olhava para ver o meu bebe…

O meu companheiro nada dizia…

Questionei os médicos, enfermeiros… disseram-me o seu filho não é NADA…, questionei se haveria lugar a funeral… disseram o seu filho é NADA…

NADA??????

Isto é resposta de profissionais??????

Fizeram a ecografia, para saber se estava tudo bem, queriam separar me logo do meu companheiro, que eu ia jantar e ia para o quarto….

Insistimos, até ele me ver jantar, e ainda estávamos expectantes, que o nosso bebé viesse, que alguém nos dissesse alguma coisa. Ninguém… Jantei, o meu companheiro foi embora para casa, e eu segui para os quartos.

Fiquei num quarto sozinha, mas no piso nas recém mamãs com os seus recém nascidos.

Ouvir os seus choros, era horrível…. O meu marido ao telefone dizia que era impressão, mas no dia a seguir quando me foi ver, constatou o meu relato… também ele se sentiu incomodado…

Quanto ao apoio psicológico, tive na Segunda-Feira a seguir ao Nascimento, sim eu considero Nascimento, do Francisco, só 15 minutos, visto que a Psicóloga passou no horário das visitas.  Marcou consulta para dali a 15 dias, já eu estava em casa… 

Nesses dias, em que estive internada neste piso, senti-me mal, abandonada, má, suja…. Todas tinham um bebé, que até pelo que me apercebi, uma senhora, não estava a colaborar, estava a rejeitar o seu filho… e eu a querer o meu…

Sai da MAC, com o marido sem respostas…

Nos dias a seguir, um vazio; tinha comprado poucas coisas para o Francisco, já que amigos e familiares nos iriam dar muitas coisas, tinha só comprado um babete, um suporte para a chucha e umas botinhas, tudo colocado numa caixinha, arrumado.

Assim que cheguei a casa, nem entrei, pedi ao meu marido que fosse ao armário do quarto e escondesse a caixa num sítio que eu não visse, que eu não queria ver as coisas do Francisco…

Estivemos os dois sozinhos em casa…

Tratámos das burocracias necessárias e até aqui tive entraves.

A Médica de Familia, que entretanto comecei a ter, visto que fui entretanto reencaminhada para um novo centro de saúde a meio da gravidez, não conseguia perceber se iria indicar-me como Aborto Espontâneo Tardio ou Nascimento, nestas Burocracias, para a Segurança Social… 

Uma outra aventura, no meu deste meu Luto, que não o consegui fazer…

Fomos chamados ao Hospital da Estefânia, para ir buscar o resultado da Amniocentese… e fomos logo nos dias a seguir, contamos o sucedido.

Fomos encaminhados para uma sala, onde nos deram atenção, e nos apresentaram uma possível resposta…

Uma infecção urinária que eu tive, e que nas gravidas não dá os mesmos sinais normais, que pode ter provocado o nascimento antecipado do Francisco, descendo o colo do útero.

Viemos também orientados para solicitar a consulta na MAC, para nos darem mais respostas e para nos darem o Relatório da Autópsia ao Francisco…

Sim, Autópsia, que nunca nos foi pedida autorização, e sem o nosso conhecimento e consentimento…

Fui atrás destas consultas todas, estive a espera os tempos necessários e… no relatório e na Amniocentese, indicam que o Francisco era um bebé normal, sem deformações, para o tempo de gestação….

REVOLTA… MUITA…

Iniciei as consultas de Psicologia na MAC, mas surpresa, estas consultas eram no piso onde se iniciam as preparações do pré e pós-parto, onde há consultas de grávidas e de recém-nascidos…

Incomodava-me muito… não conseguia ver grávidas, bebes, e eu adoro bebés…. Se adoro, derreto-me com eles, meto-me com eles….

Após, algumas consultas deixei de lá ser seguida, por iniciativa própria, pois era mais o mal que me fazia do que bem, e como estava a ter também apoio psicológico no Centro de Saúde, fiquei com a Psicóloga do Centro de Saúde.

Aliás, neste processo, o meu marido também sentiu necessidade de ser acompanhado a nível psicológico, pois foi muito mais duro, sentiu se muito revoltado.

Neste momento, mudei de residência, e voltei a ficar sem médico de família, logo sem apoio psicológico, mas naquela altura foi vital para mim, para o meu marido, para o nosso casamento.

Voltei a ter alguns problemas na nossa intimidade, não queria que ele me abraçasse, beijasse, me acariciasse, muito complicado.

Foi com muita paciência, que ultrapassamos essas questões, com muitos mimos, muitas vontades feitas, e sem muito dinheiro para isso, mas foi o nosso escape, que nos salvou.

Ainda ponderam os colocar um processo contra a MAC, mas não temos dinheiro para Advogados; Advogados da Segurança Social, com os nossos rendimentos, apesar de serem poucos, solicitam-nos uma verba no mínimo de 160 euros em mensalidades, para iniciar um processo destes, por isso, ficamos quietos, sem respostas, só estas, que duvidamos.

Quanto a engravidar, eu decidi logo que nos próximos tempos NÃO… conversei com o meu marido, e ele disse que me queria ver bem, se a minha decisão por agora, era não tentar, então concordava.

Voltei as consultas de Hipertensão na MAC, perguntam-me pelo meu filho… sem olharem para o processo… lá eu falo… lá se tenta medicar agora sem o Francisco… a medicação não faz efeito, e apos mais uns meses nestas consultas, que não me levam a nada, resolvo não voltar lá.

Porém, inicio na MAC as consultas de Planeamento Familiar, para a colocação do DIU, mas começo com dores e corrimentos, falo disto aos médicos, eles desvalorizam, entretanto, uma outra médica, solicita uma ecografia de urgência…

Faço a ecografia e… sou logo internada nesse dia… tenho que ir ao bloco… ainda há algo do nascimento do Francisco….

Após restabelecimento, volto a ponderar o DIU, e coloco o primeiro… após o primeiro mês, denoto algo estranho, converso com a medica, que desvaloriza… queixo me outra vez na Médica de Família, que solicita uma ecografia, em que se detecta que o DIU esta mal colocado, sou reencaminhada para a Mac.

Retiro o DIU e coloco outro…

Neste momento, estou no terceiro DIU, porque sempre tive queixas, e sempre foram desvalorizadas, até que eu disse basta, e apanhei nesse dia um médico da MAC que me observou e bem, e me ouviu, e me deu razão… mudei de DIU.

Até agora estou bem, sem queixas. Sim, quero engravidar, mas quero agora fazer um grande check up, informar-me, solicitar exames mais profundos sobre o meu estado de saúde, de impedimentos, ou de gravidez de maiores cuidados e ponderar se quero mesmo isso.

Se me colocar em risco ou um futuro bebé, então, não… Sei que não resisto a uma nova prova destas…

Quanto a família e amigos, tivemos diversas reacções…

Uns estiveram la, apoiaram, outros desvalorizaram e desvalorizam…

Dizem que foi melhor assim, que se fosse até aos 9 meses, era bem pior, se tivesse que fazer funeral etc, etc…

Magoa imenso… isso, e de perguntarem então, quando há bebé novamente????

Não, não estamos todos preparados para estas situações, a todos os níveis, pessoais, sentimentais, profissionais, quer a nível de recursos humanos, técnicos, etc.

Falta sensibilidade nestas matérias, acompanhamento desde o inicio, que oiçam as mulheres, os companheiros, que nos dêem explicações, que nos integrem no processo, por mais duro que seja, pois é um SER HUMANO, um FILHO/A de alguém….

Não tenho qualquer recordação do Francisco, o pouco que tinha, dei, e fotografias não tenho muitas, apesar de gostar de fotografias, de tirar fotografias, mas na altura, estava em casa, a atravessar esta gravidez nada fácil e um período familiar e económico, complicado, que não tive muito tempo e cabeça para tirar fotos etc, e tudo o que se faz quando se esta grávida para registar o momento.

Por acaso, nunca pensei muito nisso, se queria ou não ter, se me faria mal ou não….

Gostaria de deixar um apelo, que nos OIÇAM, que saibam ler a nossa postura, que leiam os nossos gestos, que esteja de prevenção uma equipe multidisciplinar preparada para estas situações, que nos resguardem mais após o acontecimento, nas consultas após.

Que dêem ferramentas a todos os profissionais, que haja troca de diálogo entre profissionais, que nos ajudem na burocracia, para que possamos fazer o Luto no nosso tempo, que não compliquem o que se já é mais complicado.

Que o Estado Português, reconheça a todos os níveis a Perda Gestacional, e que nos apoie em todas as fases.

Que a Sociedade, fale sobre este assunto, porque apos eu ter colocado um breve texto na rede social facebook, para que todos os familiares e amigos, que não sabiam e que depois poderiam perguntar pela “barriga”. Sim porque tive médicos, que me acompanhavam noutras doenças e que tinham conhecimento da gravidez, e que apos a perda, iniciei novamente essas consultas, perguntaram me pela “barriga”, para estarem a par do sucedido e para nos darem algum tempo, e que me iria afastar do convívio do facebook e pessoal, soube que algumas amigas já tinham passado uma, duas e até três vezes, por esta situação, mas que eu não tinha conhecimento, ate familiares próximos…

Ainda há muito tabu ao redor deste tema, infelizmente.

Que os companheiros/maridos, sejam pacientes, amigos e que integrem este processo, e também que façam o seu Luto e que sejam apoiados Psicologicamente neste momento.

Neste entretanto, tomo conhecimento através da rede social Facebook, da Associação Projecto Artemis, que luta para que a perda Gestacional seja reconhecida em Portugal, nos órgãos decisivos, tendo para isso criado uma Petição que já foi apresentada na Assembleia da República, em que solicita que o Dia da Perda da Gestacional seja reconhecido e comemorado, chamando a atenção para a comunidade médica e para a sociedade sobre este tema, para além de ajudar as famílias que passam infelizmente por esta situação.

Após a perda do Francisco que nasceria em Fevereiro de 2014, comemoramos com a Artemis o Dia da Mãe, numa cerimónia evocativa, lançando balões aos nossos filhos, como devem calcular estava frágil, nesse momento deveria comemorar o Dia da Mãe, com o meu filho recém-nascido, com ele ao colo…

Este tema ainda é controverso, e espero com o meu testemunho dizer que muitas mulheres infelizmente passam por esta situação, sozinhas, com pouco apoio, e várias vezes.

De vez em quando, urge entre nós, casal, o assunto bebé, quero ter mas tenho muito medo, ainda não me sinto com estrutura emocional para tal…

Adoro bebés, crianças, mas se não tiver por opção, pela idade ou outra razão, penso que seja pacifico, irei interiorizar e não remoer.

Concluindo, o Francisco faz parte de mim, apesar de eu não referir tanto a ele, como no início, o meu marido também não o faz. Mas sempre que posso, dou o meu testemunho, que ao pé de outras mulheres, por vezes é bem pequeno, já que, há casais que passam por este processo mais do que uma vez, e por vezes, até têm filhos após, as perdas gestacionais, que são chamado de bebés arco-íris.

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Ana Dias ”

27-09-2019

 

 

 

 

 

 

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