Falar “à bebé” e simplificar a linguagem ensinada

Quem resiste à tentação de falar num tom mais agudo e “fofinho” com os bebés? Pouca gente certo?

Sabiam que esta tendência é praticamente universal? Há uns anos li uma reportagem, creio que na Visão (não encontrei para pôr aqui) sobre um estudo feito em vários países, e o resultado foi conclusivo: na presença de um bebé, as mulheres (principalmente) começaram a dirigir-se à criança num timbre mais agudo e utilizando palavras mais simples e sonoras, como cumprimentos e elogios.

É uma alteração que facilmente cativa a atenção dos bebés, pela sonoridade mais alta e melódica.

No entanto, há algo que também se tende a fazer que pode não ser tão benéfico a longo prazo: simplificar demasiado a linguagem. Desde cedo que nos devemos mentalizar que os bebés são inteligentes e aprendem tudo, tal como nós o fizemos, e que nós somos responsáveis por fazer isso acontecer.

Para isso, convém que nos lembremos de que as coisas têm nomes: o carro, o gato, o cão, etc. Mas há uma tendência para simplificar tudo a palavras de uma ou duas sílabas iguais e muito sonoras. Eu raramente fiz ou faço isso, porque na minha cabeça o carro é o carro e não o popó, por isso sempre expliquei (e continuarei a fazer assim) que as coisas são o que são e fazem uma determinada função ou som.

Também desde cedo que nos disseram que o ideal é exatamente fazer desta forma, dando conceitos como eles são. O gato é o gato; não é o “miau”, mas faz “miau”. O mesmo com o cão, que é o cão e faz “au-au” . O carro é o carro e faz “vruuum”. Para mim, isto faz total sentido até porque sou uma pessoa bastante pragmática e penso que se vou ensinar que um objeto se chama “popó” (nunca percebi esta, mas isso deve ser só coisa minha) depois vou ter que reensinar que afinal se chama “carro”. 💁‍♀️

Por acaso, este tema da introdução de conceitos foi abordado em alguns workshops que fiz durante a gravidez e as indicações foram bastante de encontro ao que pensava. Não quer dizer que eliminemos as associações sonoras mais simples,mas expliquemos o que são. Podemos abrir um livro e ver um pássaro e dizer “Quem faz piu piu? É o pássaro.”, apontando.

Pensem também na vossa cabeça no que faz sentido.

Certo é que devemos falar muito com os nossos pequenos. Eles são esponjas 🙂

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