As primeiras visitas no hospital – a nossa experiência

Partilho-vos aqui a minha primeira experiência e tudo o que pus em questão nessa altura. Não sei se desta vez será igual ou não. Só sei o que vivi e o que tirei disso.

Vou começar por focar aqui o bom-senso desde já: os primeiros tempos (vamos dizer aqui o primeiro mês) não são para andarem num corropio de visitas. Não é para isolarem a criança do mundo, mas é quando é mais susceptível passar alguma infeção para ela e também cansar-vos mais. Não obstante, há sempre quem queira saber de nós e quem nos seja mais próximo. Racionando o tempo, consegue-se dar atenção a ambas as partes.

Vamos voltar às visitas no hospital.

Quando tive a primeira pipoca, avisamos a família mais próxima que se nos quisesse visitar ainda no hospital, o poderia fazer, com aviso prévio. O parto foi rápido e simples, estávamos ambas bem e sinceramente eu já tinha alguma falta de ver pessoas. Considerando que a família praticamente toda ainda laborava e alguns membros nem sequer são da nossa zona, demos prioridade a essas pessoas.

Mas claro – e digo-o assim porque simplesmente pensei que um avô quisesse conhecer o seu neto(a) e ver o seu filho(a) logo que possível para lhe dar aquele abraço confortável – as pessoas a quem mais prioridade demos foram os avós e tios.

Pensei que fosse assim, mas se calhar estava enganada.

Depois de meses bastante negros e longos de discussões com a minha mãe, em que tive mesmo alguns problemas de saúde à custa do quanto ela me enervava, no dia em que fui para o hospital foi a primeira pessoa a quem liguei para avisar que lá estava na hora de tirar a primeira neta dela cá para fora. Sem vos ter que dar muito contexto – porque há coisas que são nossas ainda – muita coisa dura e inesquecível ouvi durante a gravidez mas sempre pensei que aquele fosse o dia em tudo mudasse. Afinal, ia nascer a primeira neta.

Foi num domingo de manhã. Lembro-me de ligar duas vezes, e ainda tentar do telemóvel do meu marido (que depois me lembrei que ela tinha bloqueado). Nada.

Talvez uma hora e meia depois da minha filha nascer, lá liguei novamente para ter uma chamada seca. Ainda me senti pior. Coisas como “tu não deves estar bem para me estares a dizer que te posso ir visitar” foram o enterrar da faca na ferida que eu não precisava. Mas deixei a porta aberta.

No segundo dia, e só mesmo no horário do fim das visitas, lá apareceu. Mas só depois de confirmar que não estaria mais ninguém lá – incluindo o meu marido. Naquele dia, só recebi frieza. Nada mais. Por coincidência, quando ela lá foi, tive a visita do obstetra, que foi ver se estava tudo bem. No local, nada disse, mas não perdeu a oportunidade para nos dias em que me viu em casa (sozinha, porque fazia questão – e ainda faz – de evitar o meu marido), me dizer que só sentiu vergonha ao ir ao hospital. As causas? Não tinha as unhas dos pés e mãos arranjadas e o médico viu-me assim e o quarto não estava arrumado porque estava um saco de roupa aberto em cima do cadeirão.

“Wow. Obrigada.”

Foi a isto que se resumiu a visita. Depois do médico sair, chegou o meu marido de jantar, e 5 minutos depois ela foi embora.

As visitas cá a casa são parcas, sempre para vir limpar, coisa que me irrita solenemente mas se é a forma de me vir ver, seja.

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Entretanto as coisas foram-se compondo – pouco, mas é melhor que nada, certo? – e eu, crente, pensava que desta vez quando lá fosse ter a criança lhe ligaria e ela lá diria que estaria desejosa por conhecer a nova neta ou algo parecido.

Realmente sou crente. Mas graças a uma discussão – momentos críticos puxam-na para discutir, é o que sabe fazer – já tive a confirmação de que nem vale a pena estar a telefonar para dizer que nasceu. Diz que não vai ao hospital nem por nada, que isso é para os hipócritas, e que tem muito tempo para conhecer a neta.

Se for como da primeira vez, as visitas durante meses só me enervavam mais, porque vinham carregadas de mau ambiente e críticas que me arrasavam completamente. Ora a casa não estava bem limpa, ora eu não fazia nada e aa criança bem podia chorar enquanto em ia comer, ou a roupa não estava passada, etc.

A verdade é que se eu não quisesse que ela fosse lá, não lhe teria ligado (várias vezes). Mas para ir contrariada é rancorosa, mais vale só lhe dizer quando chegar a casa.

Claro que tudo isto pode até parecer simples de dizer. “OK, não lhe digas nada e não te preocupes nesses dias.”

Mas a realidade é que tenho outra filha com a qual vou precisar de ajuda e não vou poder contar com a dela. Vai cair tudo na(s) mesma(s) pessoa(s). Sim porque até nisso, no nosso “plano de ação” para a pipoca mais velha, ela teve que criticar quando lho partilhei e pedi ajuda. Tem que ser à maneira dela, ponto. É honestamente difícil lidar com este egocentrismo, com este “eu é que sei”.

E podem achar que eu, como filha, estou a ser mal agradecida. Mas não, ajuda-me, OK, claro que sim. Mas não sem ir depois cobrar. Prefiro que não o façam.

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Voltando ao tema das visitas,  façam aquilo que vos disser o íntimo. Com bom-senso, conseguem ter uma boa gestão e quem vos quiser mesmo visitar e ajudar não leva a mal se lhes disserem que não pode ser naquele dia, mas pode ser 3 dias depois.

Parece-me que este tema ainda pode ser explorado, mas conto com as vossas experiências para partilhar! 😘

2 thoughts on “As primeiras visitas no hospital – a nossa experiência

  1. Olá Alda, este post trouxe-me más memórias e tocou-me de alguma forma.
    Quando nasceu a minha filha, a relação com a minha mãe simplesmente desapareceu.
    Uma relação, saudável e aberta mudou repentinamente.
    Até hoje não sei verdadeiramente as razões e diversas vezes tentei abordar o assunto mas só conseguia silêncio e semanas de zanga… difícil, muito difícil, quando se mora a 500 metros de distância da nossa mãe e ela não liga nem aparece …
    Ainda me recordo de sair sozinha para ir tirar os pontos, uma semana depois e de ligar á minha mãe para saber se estava tudo bem, sim que o contrário não acontecia!
    Conversa rápida…desliguei e as lágrimas corriam pela cara abaixo.
    Quando cheguei ao hospital, as minhas tensões estavam altíssimas, perguntaram logo se estava tudo bem, eu disse que sim, claro.
    No consultório o meu ginecologista a tirar os pontos pergunta se me dói e como tenho estado, disse que não doía nada, nunca mais me esqueci das palavras dele naquele dia, estava tão triste… Vai ele e dizer: és muito dolorida rapariga!
    Foi um começo de maternidade muito solitário e doloroso.
    Nunca conseguirei fechar esse capítulo, mas tive que virar a página.
    Por vezes a ferida abre-se, e lá tento deitar para trás os pensamentos negativos… difícil, muito mesmo .
    Mas resta-me aproveitar o tempo que tenho com os meus pais.
    Faço o melhor que posso com o que tenho partindo do princípio que tenho que me adaptar e que certamente eu também estarei errada.
    Ainda agora não consigo evitar as lágrimas, nunca contei a ninguém a falta de apoio da minha família…nem eu consigo compreender quanto mais explicar!
    Desejo-vos as maiores felicidades!

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    1. Olá, o teu comentário foi parar ao spam, por isso só hoje o vi!

      É exatamente isso… Desta vez até está a superar as expectativas, mas é como digo, nunca fiando.

      É muitas vezes causado por coisas mal resolvidas ou por atritos que não fazem qualquer sentido e, mesmo que ceda eu, não há movimentos do outro lado nesse sentido. Dar na cabeça só porque sim é coisa que não me faz sentido nenhum.

      Espero que desse lado as coisas vão pelo melhor agora! 🙂

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