Julho ainda não tinha chegado ao fim quando as Pipocas foram para as Férias Científicas da Maia. Estavam mortinhas por serem cientistas e a fasquia estava alta. Gostaram tanto que, se der, tornar-se-á num programa a repetir para o ano.
Se ainda não conhecem, deixem-me contar como correu por cá — e o que precisam de saber para se inscreverem no próximo ano.

O que são as Férias Científicas
O LABS Maia abre as portas da Quinta da Gruta durante o mês de julho para receber crianças e jovens dos 6 aos 17 anos, num programa cheio de oficinas práticas e experiências “mão na massa” em ambiente de laboratório real. É uma iniciativa do Município da Maia, em parceria com a BIAL e o i3S, e este ano decorreu entre os dias 6 e 31 de julho.
O que gostei logo de início foi de perceber que o programa não é só “entreter miúdos durante as férias”. Há um propósito claro por trás: desenvolver competências sociais e emocionais, aproximar as crianças de diferentes áreas do conhecimento e da ciência, e criar contacto com a natureza, já que a Quinta da Gruta dá mesmo por aí.
Como funciona (informações práticas)
- Horário: das 9h30 às 16h30. O acolhimento começa às 9h00 e termina às 17h00.
- Participação: gratuita, e já inclui o almoço.
- Almoço: é servido na EB Castêlo da Maia, com transporte assegurado entre o LABS Maia e a escola
- Vagas: limitadas a 20 crianças por semana, por isso convém não deixar a inscrição para a última hora
- Duração: cada criança só se pode inscrever numa semana, consoante a disponibilidade de vagas
Achei este último ponto importante de referir, porque foi o que nos obrigou a escolher bem a semana — não dá para inscrever a mesma criança em várias semanas seguidas, mesmo que ela quisesse ficar lá o verão todo (e quis, acreditem). No entanto, podem indicar a ordem de preferência das semanas.

Como foi para nós
Escolhemos a semana de 20 a 24 de julho para as nossas Pipocas, de 7 e 9 anos, e confesso que fui com aquela mistura de curiosidade e ceticismo do costume: seria mesmo tão bom como prometia? A resposta veio já no primeiro dia, quando chegaram a casa numa maratona de “sabias que…?” que durou o resto do jantar.
E havia mesmo muito para contar. Uma das experiências que mais as marcou foi medir a quantidade de açúcar escondida em vários líquidos, com papel reagente — de repente, aquele sumo “saudável” que bebem às vezes deixou de ser tão inocente aos olhos delas. Também tiveram oportunidade de ver bactérias e micróbios ao microscópio, o que rendeu uma semana inteira a olhar para tudo com uma desconfiança científica muito própria da idade. Durante a semana, preencheram um caderno com os exerícios que fizeram, registando resultados, e lá, fizeram um cartaz em grupo nos 5 dias, apresentando no último dia.
Houve ainda duas experiências que, sinceramente, adorei pelo lado prático: uma sobre como se espalha um espirro (já imaginam a alegria delas a explicar-nos, com gestos e tudo, por que é que temos de tapar a boca) e outra sobre a transferência de sujidade invisível das mãos para os objetos, feita com tinta numa tigela — aquela em que se percebe, de forma muito visual, porque é que lavar as mãos importa tanto. Levaram a lição tão a sério que, durante uns dias, ganhámos duas fiscais da higiene em casa.
Tudo isto sempre com monitores atentos e um ambiente que nos pareceu seguro e bem organizado — algo que, como mãe, pesa sempre na balança quando deixamos os miúdos ao cuidado de outros durante um dia inteiro.
No final da semana, ficou aquela sensação boa de dever cumprido: férias que não foram só “matar o tempo”, mas que deixaram qualquer coisa a crescer por dentro.

Vale a pena inscrever?
Pela nossa experiência, sim. É gratuito, é bem estruturado, e resolve um dos maiores desafios do verão: o que fazer com os miúdos quando a escola fecha e o trabalho não para. E ainda por cima, sai de lá com mais curiosidade pelo mundo do que quando entrou.
Se moram na zona da Maia (ou não se importam de fazer uns quilómetros), fica já a sugestão para o próximo ano: fiquem atentos aos canais oficiais do Município da Maia, porque as inscrições costumam esgotar rápido.
E vocês, já experimentaram as Férias Científicas ou outro programa parecido na vossa zona? Contem-me nos comentários — ando sempre a monitorizar boas ideias para os próximos verões das nossas Pipocas.
Nota: todas as imagens foram geradas com recurso à Inteligência Artificial / Gemini.
