Este tempo de loucura: os “terríveis” dois anos

Os últimos tempos – diria cerca de 2 meses, principalmente – têm sido de luta constante com a Pipoca mais velha. Estamos cientes de que estão a ser meses de mudanças diversas para ela desde que a irmã nasceu, em Maio, e que ela ainda é bebé (ainda nem sequer ter 2 anos e meio).

Conscientes disto, temos sido postos a par de que a nossa linda Pipoquinha tem passado por enfant terrible. Tem sido difícil não ir ao confronto com ela, e contrariá-la sem gerar uma birra monumental. Ela ainda está a aprender e as birras fazem parte da aprendizagem e do crescimento. É com elas (entre outras ferramentas) que se apercebem de novos sentimentos, da existência de limites e até da negociação (em idades mais avançadas do que a da minha). O difícil não é contrariar e mostrar o caminho a seguir; é conseguir que, quando a birra escala, os pequenotes voltem “à terra” e nos consigam ouvir novamente.

Assim, sendo, reuni com a psicóloga do infantário e vim com algumas dicas para casa. Tenho a perfeita noção de que muitas delas são senso comum, mas faz sempre bem ouvi-las para as interiorizarmos.

1. Viver no concreto

Assim, vamos ter o cuidado de definir sempre as coisas de um modo concreto. Por exemplo, se dizemos que a seguir vamos jantar, vamos dar um ponto em que a tarefa atual acaba e o jantar começa. Por exemplo, quando acaba o episódio dos desenhos animados que está a dar ou quando acabar de fazer o puzzle, vamos jantar. E vamos ser assertivos; em vez de darmos uma indicação aberta, como “Vamos jantar?” ou “Vamos para a mesa, está bem?” “, vamos simplesmente ser concisos:” Vamos jantar.” ou” Vamos para a mesa.” está ótimo. Não só é uma indicação clara, como não dá abertura para uma resposta do outro lado.

Além disso, vamos dar tempo para as tarefas sempre que achemos necessário. E como? Com um relógio de ponteiros. Qualquer um serve, desde que seja de ponteiros, para que a passagem do tempo seja física, tangível. Vamos pôr o relógio à frente e dizer que quando o ponteiro maior chegar ao número X, termina o tempo para a tarefa. Isto auxilia principalmente em casos em que há uma birra para fazer uma tarefa – por exemplo, comer o jantar – e irá fazer om que percebam que se não cumprirem o tempo determinado, perdem a hipótese de o fazer. Saem penalizados e não brincam depois, por exemplo.

2. Reforço positivo

Isto nós já fazemos constantemente: mesmo em tarefas quotidianas, reforçamos quando são bem executadas. Seja algo simples como lavar as mãos sem molhar tudo em redor, ou algo mais complexo, como completar um novo puzzles sozinha. É importante haver este reforço, ao mesmo tempo que temos que controlar os impulsos de atenção que damos às birras. Não é fácil e eu bem sei; quando eles berram, só nos apetece berrar ainda mais alto. Mas se o fazemos, é uma atenção clara que damos à birra. Isto é tudo um jogo de atenção: se o fazemos, os pequenotes vão achar que só fazendo birras recebem a nossa atenção.

3. Falar sobre as emoções

Nós gostamos muito do livro “O Monstro das Cores“. De uma forma simples, divertida e muito visual, apresenta as emoções e relaciona-as com cores: alegria, tristeza, ira, relaxamento, amor, medo, confusão.

Muitas das birras dos pequenos devem-se a eles próprios se sentirem frustrados por não conseguirem comunicar com clareza o que pretendem. Este livro ajuda a explicar como se sentem e vai ajudando a construir um pensamento mais abstrato. Recomendo-o vivamente.

4. Ajudá-la a adormecer sozinha

Atualmente, a Pipoca adormece connosco (um de nós) ao lado da cama, sentado no cadeirão. Idealmente, devemos passar a sair do quarto antes dela adormecer para que ela, com o tempo, se aperceba de que consegue adormecer sozinha e que nós estamos por perto para a acudir se necessário. Desta forma, se ela acordar durante a noite e não nos vir (que é exatamente o que acontece), não se assustará tanto porque terá a memória de ter adormecido sem nós estarmos imediatamente ao lado.

5. Ter um objeto de segurança

Por indicação da psicóloga, vamos deixar a Pipoca levar um objeto para a escola (que ão magoe ninguém, óbvio), como um peluche, um acessório ou uma peça de roupa favorita, que irá ficar com ela quando entra na sala. Isto porque temos tido dificuldade em deixá-la na sala; ela que adora o infantário, começou por fazer esta birra e nós percebemos que vem desde que regressou às aulas em setembro. Ela esteve 15 dias em casa só comigo e a irmã e depois voltou para a escola “sozinha”. Voltou para uma sala ainda estranha, com alguns miúdos novos que vieram disputar a atenção. Está tudo explicado. Claro que ela não quer ficar. Então agora, deixamo-la escolher um objeto (nós sugerimos, para enviezar a escolha, não vá ela cismar que quer levar o amado guarda-chuva). Entra com ele na sala, as auxiliares vêem, sabem que é dela e quando ela já o largou, guardam e nós trazemos ao fim do dia. Tem corrido muito bem.

Eu confesso que esta ideia já tinha surgido ao meu marido e eu disse que não me parecia bem; ora, o pessoal do infantário já tem trabalho que chegue para ainda ter que andar a fazer de bengaleiro de tudo o que eles levam. Mas veio por indicação da psicóloga, que disse logo que a sala já estava avisada, por isso era para nós cumprirmos. Não é uma coisa obrigatória, mas nós pomos a pequena a fazer a decisão.

 

No infantário

A psicóloga disse-nos que também deu algumas dicas para a sala de aula, que vão muito de encontro ao que nos disse para fazer em casa. Serão coisas mais adequadas ao ambiente da sala e ao facto de ser partilhada por várias crianças. Irão passar por ter, de forma visível na sala (com bonecos e cartazes, por exemplo) itens relacionados com as emoções e sobre as regras da sala (no fundo, regras de convivência, como não magoar os amigos, etc). Vai ser lá montado um “cantinho do afeto” e um “cantinho do pensamento”, que serão espaços para acolher as crianças em momentos de descontrolo ou de necessidade de parar. Por exemplo, se uma criança fizer uma birra descontrolada, vai com a auxiliar ou a educadora para o “Cantinho do Afeto”, um canto simpático, com alguns bonecos e afins, onde ser poderão acalmar antes de retornar ao grupo. Por sua vez, se estão nummomento que requer alguma ponderação, vão ao “Cantinho do Pensamento” para lhes ser explicado o que aconteceu e para que consigam absorver as novas informações e regras a cumprir na sala.

O que gosto disto é que, em ambos os casos, não é um castigo. São espaços de calma e de ponderação. Podemos replicar em casa, mas parece-me ser mais interessante para a escolinha, porque é um sítio onde várias personalidades em crescimento e formação têm que conviver obrigatoriamente. 🙂

 

Todas as dicas que aqui estão podem já ser óbvias, mas estão a valer a pena rever e implementar no dia-a-dia. Já notámos diferenças na Pipoca e acreditamos que isto é para manter. 😉

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