Viagem em Família: Experiências em Maiorca e Sol Barbados

Este ano, as nossas malas seguiram rumo a Maiorca. Não era a nossa primeira escolha, mas dado o orçamento, escolhemos a ilha maior das Baleares como base e ficámos instalados no Sol Barbados durante uma semana. Entre praia e piscina, ainda passámos um dia em Palma e outro no Katmandu Park. E é sobre isso que vos quero contar hoje.

O Sol Barbados: a nossa casa em Magaluf

Vou já avisar-vos: esta secção não vai ser propriamente uma ode ao hotel.

Começámos mal. O nosso voo era ao fim do dia e só entrámos no Sol Barbados perto das 22h, meia hora depois de o restaurante ter fechado. Pedimos se havia alguma forma de nos arranjarem algo para comer (umas peças de fruta e uns pães chegariam) e a resposta foi apontarem-nos para as máquinas de vending, recheadas essencialmente de bebidas e doces. Sinceramente, num regime de tudo incluído, e sabendo que éramos várias famílias com crianças a chegar exatamente à mesma hora (eles sabem os grupos que têm a chegar), esperava-se um bocadinho mais de jeito para resolver a situação. Felizmente, fomos preparados com umas sandes básicas que levámos de casa, mas não levámos um banquete. E houve famílias que nem isso levaram.

Do quarto propriamente dito não há grande queixa: não era desconfortável e até era silencioso. Tinha uma janela partida, com o vidro colado, que é sinal de como a manutenção do hotel não é a melhor, mas o maior problema não estava dentro do quarto; estava fora. E aqui fica já um spoiler de tudo o resto: uma das grandes chatices destas férias foi a falta de civismo de muitos hóspedes. Ter gente a rir-se às gargalhadas no corredor às 3h da manhã não tem piada nenhuma quando estamos a tentar dormir.

Varanda com cortinas transparentes, uma mesa redonda branca e um objeto preto sobre ela.

As refeições foram, sem dúvida, o ponto mais fraco da estadia. Era sempre a mesma coisa, sem grande sabor, e mesmo as noites temáticas (japonesa, mexicana, entre outras) não trouxeram nada de especial. Juntem a isto o facto de, ou íamos à hora certa, ou ficávamos horas numa fila interminável — sinceramente, nunca tinha visto uma coisa assim num hotel. Além disso, os snacks para o regime do Tudo Incluído resumiram-se a uma sala geladíssima no -2, sempre com a mesma coisa: hambúrgueres secos, salsichas que rapidamente ficavam ressequidas por causa do AC, pão para ambos, batatas fritas requentadas (não eram fritas para irem para lá, notava-se que eram sobras aquecidas), nuggets, melão, melancia e maçãs, e, com sorte, queijo e uns folhados (miniaturas de napolitana ou croissant). Num hotel com tantas crianças, era importante mudar esta ementa – uns iogurtes, umas panquecas (embaladas, que fosse!), pão normal, manteiga, leite, e variedade de fruta durante o dia…

Muito fraco, para além de pouco acessível, visto ser necessário ir ao -2 para ir buscar alguma coisa e se tivéssemos que ir de elevador era outro trabalho. Este hotel precisa de ter mais elevadores e/ou de aumentar a capacidade dos mesmos. Fiz várias vezes até / do 6º andar a pé porque os elevadores demoravam eternidades e depois iam sempre cheios. Vi várias pessoas a carregar carrinhos de bebé (porque há imensos, imensos!) pelas escadas porque não conseguiam elevador em tempo útil.

Quanto às piscinas, o hotel tem dois pisos com zonas de banhos. No piso 0 há três piscinas: a maior, onde passámos praticamente todo o tempo; uma para bebés (bem pequenina); e uma terceira, mais pequena e mais funda, que estava quase sempre vazia. No piso -2 há mais duas piscinas pensadas para crianças: uma pequena, com uns bonecos e água mais rasa, e outra com uns escorregas. E foi aqui que as coisas se complicaram — durante a nossa estadia, a piscina dos escorregas esteve fechada dois dias sem grande explicação, e a outra fechou no dia antes de irmos embora, porque um dos bonecos se soltou.

Vista aérea de uma piscina em um resort com diversas pessoas se divertindo. Há um toboágua colorido e uma estrutura inflável em forma de parque aquático. Várias espreguiçadeiras e guarda-sóis estão ao redor da piscina, e o mar pode ser visto ao fundo.
Num dos dias, colocaram insufláveis na piscina – calhou de ser num dos dias em que saímos – e fecharam a piscina dos escorregas, sem aviso.


Não podemos falar das piscinas sem esquecer a eterna guerra das espreguiçadeiras: reservar está, em teoria, proibido, mas na prática ninguém quer saber — e o resultado é, sinceramente, horroroso. Vimos vários casos de pessoas a irem marcar espreguiçadeira antes da piscina abrir (só abre às 10h), irem para a praia, voltarem perto do almoço, irem comer e depois irem para as suas belas espreguiçadeiras ainda marcadas junto à piscina. Isto é completamente desnecessário, e o staff do hotel nada faz. Nunca vi algo desta extensão – onde estivemos no ano passado, por exemplo, o staff ia vendo, e se notasse que ia alguém marcar espreguiçadeira e depois saía, ia atrás da pessoa abordar, ou quando viam espreguiçadeiras durante um largo período sem ninguém, iam abordar as pessoas quando chegavam. Isto evitaria chegar a meio da manhã com 80% das espreguiçadeiras reservadas (sim, contei). Principalmente antes da piscina abrir é fácil intervir, mas nada fazem. Aliás, por várias vezes havia lixo no chão, o pessoal passava e via, e não apanhava, nem falava com as pessoas para o fazerem.

Portanto, as pessoas são porcas e não têm civismo, e o staff não tem qualquer interesse no que se passa. Mas isto também se notava em outras áreas comuns: o restaurante estava, frequentemente, sujo (não é com umas migalhitas, mas com batatas no chão, por exemplo) entre refeições; as loiças nem sempre estavam bem lavadas (apanhei copos partidos e sujos várias vezes); etc. O staff é tão desinteressado que havia pessoal a fumar (vaping) no lobby, e ninguém lhes dizia nada.

Já que falo do pessoal do hotel, vou falar da animação para os miúdos. Sendo o tipo de hotel que é, espera-se que tenham atividades durante o dia (já que até publicitam isso, o Kidsdom). Têm durante a manhã, e depois à tarde nada – só das 19h às 19h45! Inicialmente pensei que fosse porque não teriam gente para os dois grupos (há um grupo até aos 4 anos, inclusivé, e um grupo dos 5 anos em diante), mas não há atividades para nenhum deles à tarde. As Pipocas foram uma vez, ao Masterchef, e disseram que foi divertido (notem que não disseram que adoraram e queriam voltar, porque não quiseram) e contaram que os monitores, a dada altura, começaram uma guerra de comida com os ingredientes sobrantes. Para nós isto é inaceitável. Se uma criança tivesse começado, ainda entendo que alinhassem, apesar de não concordar, mas serem eles a começar é impensável.

Outro ponto relevante é a animação noturna. Em termos de qualidade, não é nada de extraordinário, às vezes até sofrível, mas o mais chato é o espaço, pois é interior. Não se fica propriamente confortável com 200 pessoas numa sala com um palco pequeno. Há uma zona no exterior onde dá para ver, mas só se tiverem sorte de lá arranjarem cadeira. 🤓 Como não era nada de fascinante, acabámos por, na maioria das noites, sair para dar uma volta junto à praia, que é bem mais agradável (na linha da praia, mesmo) do que o espetáculo do hotel.

Falando da praia, a pé, a distância até à praia é curtíssima, com um caminho praticamente direto que dá no fim da praia de Magaluf, mas é mal-cheiroso e pode ter alguns vidros no chão. Tenham cuidado. Em alternativa, podem andar mais uns metros e ir por outro caminho (novamente, a ruela não é bem-cheirosa) e vão dar já ao areal. A ocupação, nas horas em que fomos, foi tranquila, o mar é bom, e aproveita-se bem. Se quiserem espreguiçadeiras, têm lá o banheiro com quem falar; já não me recordo dos preços, mas se não me engano eram cerca de 20 euros por dia para o par de espreguiçadeiras com o guarda-sol.

Pessoas nadando em um mar claro, com uma lancha ao fundo e uma praia visível
Praia de Magaluf

No fim de contas, recomendamos o Sol Barbados? Nem por sombras… Para nós foi inevitável a comparação com o hotel em que ficámos no ano passado, da mesma cadeia e com 3 estrelas (este é, supostamente, um hotel 4 estrelas) e o outro está melhor em tudo. A única coisa em que bate o outro é nas piscinas (em variedade), mas se estiverem sempre cheias de “reservados”, mais vale ter menos piscinas e mais paz. Falámos com outras pessoas que lá estavam e as opiniões são todas as mesmas… Portanto, escolham este hotel apenas se for mesmo pelo preço limitado, ou se fizerem questão de ficar nesta zona específica. Fora isso, há certamente opções melhores.

Um dia em Palma de Maiorca

Reservámos um dia para conhecer Palma de Maiorca, a capital da ilha, e valeu bem a pena sair do hotel para isso. Apanhámos um autocarro de Magaluf para o centro (têm o 104 e o 105, apanhámos o primeiro), a viagem é de cerca de meia hora e termina da estação intermodal de Palma, logo bem localizada.

Primeiro, visitámos a Catedral de Palma. Podem comprar bilhetes online, mas não o fizemos porque não havia fila a disponibilidade online era alta (900 e muitos bilhetes para cada horário do dia). A imponente Catedral de Santa Maria, também conhecida como La Seu, ergue-se junto ao mar e, de perto, ainda impressiona mais do que nas fotografias. Tem um pequeno museu, que podem ver, mas o grande ponto de interesse são os mais de 60 vitrais coloridos, nem todos religiosos (o que achei super interessante!), mais as 5 rosetas que criam luzes coloridas por toda a nave central. Um espetáculo de luz natural! É normal que, com isto, até lhe chamem Catedral da Luz.

Interior de uma igreja com bancos de madeira e luzes coloridas refletindo no chão. Pessoas caminhando entre os bancos.
Projeção da luz do sol através rosetas da Catedral
Interior de uma igreja com arcos altos, vitrais coloridos e um candelabro ornamentado, apresentando um ambiente religioso e histórico.
Nave central
Interior de uma catedral com vitrais coloridos, luz suave e um ambiente acolhedor.

Depois, fomos almoçar, calmamente, junto à Marina, e a seguir passeamos pelo parque junto ao restaurante – os jardins públicos. Muito agradável, até para quem não quiser ir comer a um restaurante e preferir fazer um lanche à sombra. Encontrámos bebedouros públicos – alguns próprios para encher garrafas – espalhados pela cidade, o que dá muito jeito especialmente com temperaturas acima dos 30 ºC 😁

Rua estreita em uma cidade, com prédios de parede clara e varandas, iluminada pelo sol.

Depois, fomos andando pela cidade, já em direção à estação, incluindo pelo Passeig des Born e pela Rambla. Era hora de regressar ao hotel, para ainda descansarmos antes do jantar. Valeu a pena este dia, para variar da rotina no hotel.

Foi o único passeio que fizemos na ilha; ainda ponderámos alugar um carro e ir a outros sítios, mas tendo em conta que a nossa Pipoca mais nova ainda enjoa de vez em quando em viagem de carro, preferimos não fazer desta vez.

Katmandu Park: uma manhã (e um bocadinho da tarde) de diversão

Reservámos também um dia para o Katmandu Park, onde estivemos das 10h às 14h, sensivelmente. Caso pensem em lá ir, recomendo vivamente irem logo na altura porque apanham menos gente e se almoçarem lá conseguem sentar-se – o serviço é muito lento. Além disso, em dias de calor, é difícil aguentar ao sol em diversões mais expostas, como o Golf, e podem aproveitar os escorregas para depois de almoçarem, no fim da visita.

Dica: Levem moedas de €2 para os cacifos, caso precisem, porque a cada vez que o abrirem, ficam sem a moeda. Há máquinas para trocar notas por moedas de €2, mas não aceitam notas de 5€. E o que é que nós tínhamos? Notas de €5. Mas lá conseguimos trocar na receção.

O parque tem 10 diversões, e nós fomos a 7: a casa de pernas para o ar, os lasers, o golf (fizemos os 18 buracos do primeiro percurso e não fizemos o segundo porque estava um sol escaldante), os jogos de disparos (Banditos e Desperados), vimos o filme em 4D, e, no fim, os escorregas aquáticos. Diria que, para crianças, o parque é giro e vale a pena. Se fosse um grupo de adultos, diria para passarem e seguirem em frente. Algumas das diversões têm entrada a cada meia hora, mas depois demoramos 5 minutos lá dentro (estou a falar de ti, Banditos!), por isso nivelem as expectativas. 🙂‍↔️

As miúdas gostaram de tudo, no geral, sendo que os escorregas foram a parte favorita. Mesmo aqui, novamente, nivelem a expectativa, porque estamos a falar de 5 escorregas, em que 3 deles dão para crianças de 1 metro ou mais, logo não é nada de gigante. Mas é giríssimo, e o balde gigante é fantástico! Nunca levei com tanta água de uma vez! 🤣

Nós comprámos o bilhete online no próprio dia, porque havia uma promoção de bilhete de adulto com oferta de bilhete de criança e compensou muito. Se não tivéssemos essa promoção, provavelmente compraríamos no hotel, que tem um desconto, e ficaria uns euritos mais em conta do que comprar na bilheteira. O bilhete dá para ir em dias separados, mas só funciona uma vez por diversão; podem ainda comprar, na bilheteira, um passe VIP, que permite entrar várias vezes em cada diversão.

Para quem viaja com crianças, este é claramente um daqueles passeios que junta chapinhar na água a explorar espaços um bocadinho temáticos, e que, connosco, funcionou muito bem para o tempo que tínhamos disponível.

Vale a pena?

Em termos de destino, Maiorca valerá a pena para terem direito a boa praia, com água quente e limpa, mas aconselham a que escolham outra zona. Eu já tinha ouvido algumas opiniões sobre Magaluf, nomeadamente sobre a noite, o barulho, sujidade, mas não foi isso que me incomodou mais. Foi mesmo o não conseguir disfrutar do hotel, maioritariamente por causa da falta de qualidade do serviço e da falta de civismo das pessoas (que empolava com o desinteresse do staff).

Palma é uma cidade bastante bonita, que tem mais para explorar do que o que nós vimos, e que valeria mais tempo lá para ir a outros sítios, por isso considerem visitar a cidade se lá forem.

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