Meu querido mês de Agosto – um drama em 3 atos

Agosto costuma ser sinónimo de praia, viagens e descanso. Mas este ano, o meu querido mês de Agosto trouxe-me um desafio diferente: três semanas inteirinhas com as miúdas em casa, e eu a trabalhar em mais de metade desse tempo. Resultado? Um enredo digno de novela. Divido convosco em três atos, porque assim a coisa até parece mais organizada (na prática, houve de tudo, incluindo caos).

Ato I — A lua-de-mel

Dia 11 de agosto. As miúdas chegam oficialmente às minhas mãos depois de semanas cheias de atividades de férias. Tirei o dia para tratar de uns assuntos e, como bónus, ficámos juntas. Fomos almoçar ao Café da Praça, em Matosinhos, e elas comeram que nem umas senhoras, de guardanapo no colo e tudo! Foi um daqueles dias em que pensei: “Pronto, vai correr bem. Até parece fácil.”
Claro que, lá no fundo, já pairava no ar o pressentimento de que a tempestade estava a caminho. Mas deixei-me embalar pela ilusão de um arranque tranquilo.

Ato II — O dia negro e a rotina do abismo

Se o primeiro dia foi calmo, o segundo foi… apocalíptico. Um dia negro, daqueles que parecem nunca acabar. Desde as 9h30 da manhã parecia que um demónio se tinha apoderado das duas: discussões, birras, choros, provocações. E eu, já sem paciência, e a tentar trabalhar num dia cheio de chamadas, explodi. Apesar das razões todas que pudesse ter, senti-me uma péssima mãe – frustrada, drenada, incapaz. Daria material para várias sessões de terapia, sem exagero.

Nos dias seguintes, veio a rotina. Como estava a trabalhar, passámos muito tempo em casa. Mas resisti à tentação de deixá-las coladas ao ecrã. A mais velha fez textos, ambas desenharam, fizeram alguns exercícios, inventámos brincadeiras, até abrimos algumas prendas de aniversário que tinham ficado guardadas. Não foi fácil, mas houve pequenas vitórias aqui e ali.

Tiveram também uma pausa na casa da avó, que ajudou a quebrar a monotonia (mesmo que não tenham saído de casa dela).

Ato III — Respirações e resgates

Felizmente, nem tudo foi monotonia. Houve visitas de amigas cá em casa, com direito a piquenique de pizza (obrigada, Domino’s, por salvar estes dias!) e brincadeiras na piscina – eu sempre vigilante enquanto continuava as jornadas de trabalho, claro, mas feliz por vê-las entretidas. Fomos à biblioteca, onde elas brincaram com os jogos, escolheram livros e eu consegui finalmente respirar um pouco.

Na última semana, o pai juntou-se a nós em férias, em casa. Não houve grandes passeios, mas houve uma maratona de arrumações digna de reality show: dois dias inteiros a esvaziar a despensa, rever tudo, montar estantes novas e organizar o que ficou. Ainda consegui ver o que estava nos caixotes da garagem e esvaziar dois que tinham roupas pequenas e brinquedos antigos das Pipocas. Seguiram para novas casas. Mas pronto, podemos dizer que foi fais terapia de casal em modo Leroy Merlin do que propriamente férias, mas valeu a pena.

Epílogo — Cansada, mas com sentido

No fim destas três semanas, confesso: estava cansada, às vezes até triste e frustrada. Mas o objetivo era claro: que elas descansassem e que experimentassem algo que hoje falta a muitas crianças – o aborrecimento. E isso foi cumprido.

Não foi um Agosto de postal de férias, mas foi um Agosto real, com altos, baixos, gargalhadas e frustrações. Um Agosto que me ensinou, mais uma vez, que ser mãe é andar sempre entre a paciência infinita e o caos, entre a ternura e o esgotamento.

E no meio desse drama todo, houve amor. Muito amor, mesmo nos dias negros. Ajudou a que tivéssemos algumas conversas importantes, às vezes mais difíceis, mas necessárias.

Partimos agora para um descanso mais do que merecido, para depois regressarmos à rotina – com mudanças a caminho! 🙈

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