Explorar a arte dos biscoitos em Valongo: Mãos na massa na Oficina da Regueifa e do Biscoito

Valongo, terra de tradições culturais ricas, oferece mais do que apenas uma visita à padaria comum. No fim-de-semana passado visitámos a Oficina da Regueifa e do Biscoito, onde fomos surpreendidos por uma experiência única: não nos partilharam o conhecimento sobre o pão e o biscoito, como pudemos criar os nossos próprios biscoitos! Antes de continuar para os detalhes, posso já dizer que a visita é gratuita e só têm que marcar no site da Oficina o horário em que pretendem visitar.

Uma jornada de descoberta

Situada no coração de Valongo, a Oficina da Regueifa e do Biscoito representa um espaço dedicado à preservação e promoção do património cultural. A sua missão é reunir, preservar e apresentar objetos e memórias relacionados à longa tradição da panificação que é uma parte fundamental da história secular do concelho. O objetivo central da oficina é prestar homenagem à identidade valonguense, destacando uma das marcas distintivas do município: a atividade de panificação que levou Valongo a ganhar reconhecimento mundial pelos seus aromas e sabores ancestrais.

A visita começa por nos explicar como é que Valongo ganhou o título de “Terra do Pão”, num curto filme 3D que as miúdas também adoraram. A oficina destaca o árduo trabalho da população local, que ao longo dos anos contribuiu para forjar a reputação da região.

Depois de vermos o filme, vimos objetos imprescindíveis na vida do cereal até ser pão ou outro produto comestível e percebemos que, em Valongo, o fabrico de pão e biscoitos de elevada qualidade é secular. Beneficiando da existência de moinhos, de nascentes de água, da lenha das serras e da passagem da Estrada Real que a ligava à Invicta, Valongo especializou-se na produção e abastecimento de pão à cidade do Porto, pelo menos desde o século XVII, de acordo com registos de época. Uma vez que, no Porto, foi proibida a confecção do pão, Valongo tornou-no no principal centro produtor destes perecíveis. As valongueiras, cujos trajes típicos nós vimos expostos, rumavam ao Porto, normalmente a pé, três vezes por semana para vender os seus produtos nas feiras, mas também nas estações de comboio, possibilitado pela conclusão das linhas ferroviárias do Douro e Minho em 1875.

Com a industrialização, o setor da moagem e panificação acabou por se desenvolver também na cidade do Porto, levando as padarias valonguenses a adaptar a sua produção às novas exigências do mercado. E assim surgem, a partir dos finais do século XIX, as biscoitarias como um segmento económico alternativo, de grande sucesso.

A magia dos quatro biscoitos

Depois de aprendermos sobre os ingredientes, as técnicas de amassar e as nuances de dar forma aos biscoitos, foi a vez de pormos as mãos na massa. A Oficina da Regueifa e do Biscoito não se trata de sair com uma caixa de biscoitos comprados, mas sim de levar para casa algo verdadeiramente único: os biscoitos feitos por nós mesmos. Cada um de nós moldou quatro biscoitos, tornando-os autênticos testemunhos da nossa experiência.

As miúdas adoraram, aprenderam algumas coisas – e nós também!

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