A Mamã convida – “A gestão da saudade”

A Liliana, a última Mamã convidada, escreveu sobre novo tema: a saudade. Como a tratamos para nós e que impacto tem isso na maternidade?

Um tema de dor, mas sobretudo de ternura!

“Isto de ser mãe é uma coisa tramada!!! Já não bastava ser mulher para ter emoções flutuantes e bipolares, ainda temos de ter as hormonas saltitantes. E com todas estas emoções à flor da pele, tive de voltar a aprender a gerir a saudade. Não é por acaso que é uma palavra/ sentimento que não tem tradução. O mais próximo que o inglês consegue lá chegar é ao “memories” e que mesmo assim está aquém da verdadeira significância deste sentimento: Saudade.

Saudade é aquele sentimento que pode corroer-nos por dentro sem percebermos muito bem o que se está a passar. É um sentimento agridoce, que nos conforta pelos momentos bons que se passaram mas que nos martiriza por não poderem voltar a acontecer.

A saudade e o apego andam de mão dada. Literalmente. O tuga é saudosista porque é apegado a tudo o que tem. Seja material ou não. É um facto que detestamos perder nem que seja um dente. Prova disso é que anos a fios os nossos pais/ avós/ bisavós, empunhavam de forma alegre e orgulhosa os primeiros dentes de leite que nos caíam, ali bem apetrechados num colarzinho de ouro.

Não há um só dia que não pense no meu pai e em como sei que ele ia ser a pessoa mais feliz do mundo por conhecer a neta. Aliás, se haveria parelha babada no mundo seria mesmo ele e a minha mãe.  É dele que eu sinto verdadeiramente saudade. Mais do que de tudo na minha vida.

Penso em tudo o que ele está a perder por não a ver crescer. E em tudo o que ela perde por não o ter tido na vida. Pelo menos em carne e osso. Porque haverá muita coisa dele nela (incluindo a covinha no queixo) porque há muito dele que permanece em mim.

Educarmo-nos a aceitar que nada nesta vida é realmente nosso ou eterno, faz não só com que sejamos mais realista, como que soframos menos nestas situações em que somos sujeitos a uma perda. Porque de facto, nada é nosso! Tão simples como 1+1 ser 2. Só que esta racionalidade é difícil de encaixar para caraças. Esta é uma das lutas e dos equilíbrios mais difíceis de se conseguir na vida: racional vs emotivo.

E penso que só com a idade é que vamos conseguindo equilibrar a coisa (ou talvez seja mera ilusão minha). Penso que com a aprendizagem que a vida nos vai dando, aprendemos a relativizar tudo e a conformar-nos que tudo acontece porque tem de ser e pronto.”

~a

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